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Exclusivo: Câmara refuta culpa pela falta de manutenção da Casa da Boavista

Após as acusações do Viriato Soares de Almeida, usufrutuário da Casa da Boavista, fonte pertencente à Câmara veio hoje desmentir a culpa pela falta de manutenção do espaço, bem como apresentar os motivos pelas quais não podem comprar a Casa da Boavista.

Em primeira instância, o Viriato disse, na apresentação do livro que se realizou na Casa da Boavista no passado sábado, que a autarquia não queria negociar e que nada fazia para manter a casa erguida. “Querem esmagar a casa? Pois que se esmague já”, frisou no evento o usufrutuário.

No entanto, membro da autarquia disse hoje ao jornal Paivense que não podem comprar por três motivos: primeiro, pela questão de haver um usufrutuário; segundo, pelo investimento de milhões de euros pelos quais o Viriato e as filhas estão predispostos a ceder o usufruto da Casa da Boavista; e ainda o facto de a autarquia não possuir um modelo de negócio fiável para o local.

“O que a vereadora expressou está correto e, a questão do testamento baliza muito bem os direitos dos usufrutuários. Para eles abdicarem têm que aceitar as propostas que eventualmente surgirem, se não aceitarem não há nada a fazer, eles é que tem o direito”, salientou fonte do executivo.

Ao que o jornal Paivense apurou, já houve uma tentativa para deferir a questão do testamento, no que concerne aos seus usufrutuários, pelo que a justiça não conseguiu alterar o que ficou delineado pelo Conde.

Casa da Boavista; fonte: Jornal Paivense

No testamento está patente que, primeiro, tem direito o usufrutuário, a segunda e a terceira geração do mesmo e, só depois, é que a Casa da Boavista será propriedade da Câmara.

A autarquia afirma que tem estabelecido contactos e negociações mas, até ao momento, não houve questões objetivas para resolver a questão devido aos três motivos referidos anteriormente.

“É um investimento de muitos milhares de euros. A Câmara, se não tem condições para poder dar o que eles pretendem não se vai desfazer de um bem de qualquer maneira para um particular e, para isso, ainda é preciso ainda haver esse particular”, confirmou a fonte.

Casa da Boavista; fonte: Jornal Paivense

Acrescentou que Castelo de Paiva tem uma hegemonia económica, turística. Além disso, a região está situada no interior e Oeiras- situação à qual se tem estabelecido um paralelismo- às portas de Lisboa, e com uma capacidade financeira totalmente distinta.

No entanto, a Câmara Municipal, há cerca de um ano, interveio na cobertura da capela que se situa dentro da Casa da Boavista, por perceberem “que se estava em risco de perder a capela e consegiu-se um montante e resolveu-se o problema de imediato”.

“A Câmara não tem condições de modelo de negócio que dê condições. Aquilo é enorme, tem de ter condições de visitação, manutenção, mão-de-obra, e aí seria sempre a câmara a arcar com a totalidade dos custos, além do investimento de compra. E também não vamos entregar ao desbarato, nem o testamento permite isso”

Relativamente ao atual estado da Casa que o usufrutuário denunciou no passado sábado, a autarquia disse que não se pode “perder um património como aquele e que tem de se chegar a um acordo/ solução para o caso”.

Uma guerra antiga pela possa da Casa da Boavista

Há uns anos foi feito um contrato promessa por meio milhão de euros mas o Viriato não aceitou. No entanto, a acusação do Viriato no que diz respeito ao facto de a autarquia não se ter prenunciado sobre o assunto deve-se, segundo a mesma fonte anónima, ao facto de a Câmara não considerar um bom modelo de negócio. “íamos entregar um imóvel totalmente ao potencial interessado e isso não era rentável nem cumpria o desejo do Conde estabelecido no testamento”, salientou a mesma fonte da Câmara.

Atualmente, a autarquia afirma estar em negociações com as filhas do Viriato pois frisam que o problema não reside simplesmente no Viriato.

“Estamos a manter conversações com as filhas. Nós já sabemos a proposta dele, temos só de negociar o que as filhas querem. Se elas pedirem meia dúzia de milhões de euros não nos vamos endividar por causa disso”, concretizam.

Contrapõem dizendo que estão “preocupados e com interesse em resolver mas sem condições financeiras nem modelo que salvaguarde o investimento não há margem para sonhos”, mas salienta, que não têm “dúvidas do interesse e da virtude da Casa”.

A Casa da Boavista

Esta era a residência do Conde de Castelo de Paiva, datada do século XVII, localizada na Quinta da Boavista (Sobrado). Esta quinta engloba jardins, cavalariças, garagens e área de arrumações. A casa central apresenta alçados com cunhais boleados seiscentistas, e no segundo piso tetos de madeira atribuídos aos séculos XVII e XVIII.

O Viriato de Almeida foi caseiro da casa, pelo que, aquando a morte do Conde, a propriedade passou a poder ser usufruída pelo mesmo. Tal ficou escrito em testamento e esta herança a um caseiro deve-se ao facto do Conde de Castelo de Paiva não possuir herdeiros diretos.

A completar o conjunto da Casa da Boavista, existe a capela, consagrada a Santo António, no interior da qual se pode admirar um altar de talha.

Saiba o contexto da notícia que dá conta das acusações formuladas pelo Viriato à Câmara municipal de Castelo de Paiva em:

CP: Viriato interrompe vereadora para reclamar desleixo da Câmara sobre a Casa da Boavista