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A NASA tem estado a disparar lasers para a Lua. Finalmente, recebeu uma resposta de volta

NASA

Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), da NASA, em órbita da Lua

A NASA esteve nos últimos anos a disparar raios laser em direção ao Lunar Reconnaissance Orbiter, nave que está desde 2009 em órbita da Lua. Agora, pela primeira vez, o satélite respondeu.

O Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) foi lançado pela NASA para ajudar a testar o poder de reflexão dos painéis deixados na superfície da Lua há cerca de 50 anos pelas missões Apollo, e medir com melhor precisão a distância a que a Lua se encontra da Terra.

Desde que o LRO entrou em órbita, os cientistas começaram a disparar lasers contra um pequeno refletor, que tem o tamanho de um livro de bolso.

Em colaboração com investigadores franceses, a NASA anunciou que recebeu, finalmente, um sinal refletido de volta pela primeira vez. A proeza pode aprimorar as experiências com o uso do laser, realizadas ​​para estudar a física do universo.

É a primeira vez que fotões são refletidos para a Terra através de um satélite, o que não só oferece uma nova maneira de realizar medições na Lua, como pode ajudar a entender as condições atuais da superfície lunar.

Estes refletores são usados para receber e devolver os poderosos raios laser que a NASA tem enviado para a Lua e cronometrar quanto tempo demoram a voltar — uma forma de obter uma medição mais precisa da distância entre os dois pontos, tendo como base a velocidade da luz. É assim possível determinar a que distância a Lua está, com uma precisão milimétrica, explica a Science Alert.

Estas medições tem permitido perceber que a Lua está a afastar-se muito lentamente da Terra. Este afastamento tem sido progressivo e acontece a uma velocidade de cerca de 3,8 centímetros por ano.

Esta experiência foi aliás eternizada na televisão, no episódio “Lunar Excitation” da série The Big Bang Theory, no qual os personagens disparam um raio laser à Lua a partir do seu telhado.

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Xiaoli Sun, cientista planetário do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA que ajudou a projetar o refletor de LRO, diz que “para saber mais, primeiro precisamos saber a distância entre as estações terrestres e a precisão dos refletores da Lua. A precisão desta medição pode ajudar a entender a gravidade e a evolução do sistema solar”.

O refletor do LRO tem um décimo do tamanho dos painéis dos colocados pelas missões Apollo 11 e 14, com apenas 12 retro-refletores cúbicos , e está ligado a um alvo em movimento rápido.

O sinal de luz é afetado pela meteorologia na estação de laser, assim como o alinhamento do Sol, da Lua e da Terra. De acordo com o Tech Explorist, essa é uma das razões pela qual, apesar de várias tentativas ao longo da última década, os cientistas da NASA não conseguiram alcançar o refletor do LRO.

Nesse aspeto, a colaboração com os cientistas franceses foi essencial. A equipa Géoazur, da Université Côte d’Azur, em França, desenvolveu uma tecnologia avançada que mede o comprimento da onda do infravermelho de luz em LRO. Um benefício do uso da luz infravermelha é que esta penetra a atmosfera da Terra melhor do que o comprimento de onda verde visível da luz, que os cientistas tradicionalmente usam.

Porém, mesmo como uso da luz infravermelha, o telescópio Grasse, em França, recebeu apenas cerca de 200 fotões, das dezenas de milhares de lasers lançados no LRO durante 2018 e 2019.

“Esta experiência é um novo método de verificar as teorias de acumulação de poeira ao longo de décadas na superfície lunar”.explica Erwan Mazarico, autor principal do artigo científico publicado a 6 de agosto na revista Earth, Planets and Space.

Com o tempo, espera-se que alguns registos de fotões possam criar uma imagem suficiente precisa que forneça mais informações.