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Afinal, os bioplásticos não são mais seguros do que os plásticos tradicionais

Nos últimos anos, os bioplásticos surgiram no mercado como uma alternativa ao plástico convencional. O bioplástico tem algumas vantagens aparentes pois geralmente é feito de material reciclado ou celulose vegetal. Contudo, um novo estudo mostra que este não é muito melhor do que o plástico tradicional.

De acordo com um novo artigo publicado na Environment International em junho deste ano, os bioplásticos são, na verdade, tão tóxicos como outros plásticos tradicionais.

Lisa Zimmermann, autora principal do estudo, garante que os “plásticos de base biológica e biodegradável não são mais seguros do que outros plásticos”. A professora destaca que estes plásticos produzidos à base de celulose e amido continham na sua maioria produtos químicos.

Os bioplásticos analisados desencadearam reações tóxicas mais fortes em condições de laboratório. “Três em cada quatro desses produtos plásticos contêm substâncias que sabemos serem perigosas em condições de laboratório, considerando o mesmo perigo que o plástico convencional”, referiu Martin Wagner, professor do Departamento de Biologia da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia.

A equipa de investigação liderou a maior pesquisa até hoje sobre produtos químicos em bioplásticos e plásticos feitos de materiais vegetais. Os especialistas examinaram as substâncias tóxicas neste tipo de plástico e concluíram que as substâncias podem ser diretamente tóxicas para as células em laboratório ou podem agir como hormonas que, por sua vez, podem perturbar o equilíbrio do corpo humano.

O estudo incluiu 43 produtos plásticos diferentes, incluindo talheres descartáveis, papel de embalagens de de chocolate, garrafas e rolhas de vinho. Neste sentido, Wagner diz que “80% dos produtos continham mais de 1000 produtos químicos diferentes. Alguns deles chegavam a ter 20 000 produtos químicos”.

Segundo o estudo, mesmo os produtos aparentemente semelhantes têm a sua própria composição química que pode ser diferente. Um saco plástico feito de bio-polietileno pode conter substâncias completamente diferentes de uma rolha de vinho feita do mesmo material. Por isso “fazer declarações gerais sobre certos materiais torna-se quase impossível”, explica Wagner.

O estudo indica que ainda não se sabe nada sobre as alternativas aos bioplásticos e aos plásticos pois há muitos fatores que entram em questão, e estes ainda não foram analisados, diz a Phys.

Até ao momento, as consequências que estes plásticos têm para o meio ambiente e para a saúde das pessoas ainda são incertas. Contudo, a equipa garante que as substâncias do plástico são transferíveis para os humanos.