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Afinal, usar o telemóvel na sala de aula não afeta a aprendizagem

Um novo estudo sugere que usar o telemóvel na sala de aula não afeta negativamente a aprendizagem. Esta investigação contradiz o senso comum e estudos anteriores.

Mais do que nunca, os smartphones fazem parte do nosso dia a dia e são cada vez mais usados por crianças e adolescentes. O seu uso é proibido dentro da sala de aula, mas nem por isso os jovens deixam de o fazer. Uma equipa de investigadores sugere, ao contrário do que pensamos, o seu uso não afeta negativamente a aprendizagem ou as notas dos alunos.

“Precisamos de nos livrar deste medo da tecnologia que afetou a nossa opinião sobre o uso de telemóveis em sala de aula”, argumenta Andreas Bjerre-Nielsen, investigador do Centro de Ciências de Dados Sociais (SODAS), da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca.

“Anteriormente, os alunos distraíam-se com outras coisas além dos telemóveis. Eles podem olhar pela janela, olhar para o teto ou fazer outras coisas, quando o ensino não chama a sua atenção. Se tivéssemos dados sobre a frequência com que os alunos anteriormente se envolviam nessas microdistrações, acredito que veríamos que o grau de distração corresponde ao representado hoje pelos telemóveis”, explica, por sua vez, o cientista David Dreyer Lassen, citado pelo Futurity.

Para perceber a influência dos smartphones na sala de aula, a equipa de investigadores monitorizou o seu uso em 470 estudantes universitários ao longo de dois anos. Os resultados do estudo foram publicados este mês na revista científica Psychological Science.

“No nosso estudo, observamos o uso de telemóveis pelos alunos em vários cursos e tivemos em consideração as diferenças individuais e o contexto da aula em questão. Por exemplo, os alunos podem considerar um determinado professor maçador e, portanto, recorrer ao smartphone. Ou podem estar cansados e desmotivados porque é de manhã cedo. Incluímos esses fatores e outras variáveis que estudos anteriores não foram capazes de controlar e que fortalecem o nosso resultado”, diz Bjerre-Nielsen.

“Se você olhar para um único grupo de alunos e um único curso, o conhecimento que você adquire é muito limitado”, acrescenta o especialista.