Um novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) alertou que podem surgir mais doenças que passam de animais para humanos, como a covid-19, à medida que os habitats são devastados pela exploração da vida selvagem, práticas agrícolas insustentáveis ​​e mudanças climáticas.

Esses agentes patogénicos, conhecidos como doenças zoonóticas – como o ébola, o MERS, o VIH e o vírus do Nilo Ocidental -, têm aumentado devido à ação dos humanos sob os habitats naturais, de acordo com o relatório do Programa Ambiental da ONU (PNUMA), divulgado na segunda-feira e citado pela NPR.

“Intensificamos a agricultura, expandimos a infraestrutura e extraímos recursos às custas dos nossos espaços selvagens”, indicou o diretor executivo do PNUMA, Inger Andersen. A ciência mostra “que, se continuarmos a explorar a vida selvagem e a destruir os nossos ecossistemas, podemos esperar um fluxo constante dessas doenças que passam de animais para humanos nos próximos anos”.

Investir na pesquisa de doenças zoonóticas, continuou Inger Andersen, permitiria ao mundo “avançar no jogo, impedindo o tipo de paralisação global que vimos”.

O novo relatório recomenda que os governos adotem uma abordagem coordenada de “Saúde Única”, reunindo especialistas em saúde pública, veterinária e ambiental para combater os surtos de doenças zoonóticas.

“As pessoas olham para a pandemia de gripe de 1918 e pensam que esses surtos de doenças ocorrem apenas uma vez num século”, disse Maarten Kappelle, chefe de avaliações científicas do PNUMA. “Mas não é verdade. Se não restabelecermos o equilíbrio entre o mundo natural e o humano, os surtos se tornarão cada vez mais predominantes”.

A demanda global por carne aumentou 260% no último meio século, exacerbando o problema, referiu Andersen.

Alguns animais, como roedores, morcegos, carnívoros e primatas não humanos, são mais propensos a abrigar doenças zoonóticas, com o gado a agir como uma ponte para a transmissão entre os hospedeiros e os humanos, apontou o relatório.

Enquanto isso, em algumas das regiões mais pobres do mundo, as doenças zoonóticas endémicas associadas ao gado causam mais de dois milhões de mortes por ano. No entanto, África – que respondeu com sucesso a uma série de epidemias zoonóticas, como o ébola -, pode ser um local para encontrar soluções de controle de surtos de doenças homem-animal no futuro, acrescentou o documento.

“Para evitar surtos futuros, os países precisam conservar os habitats selvagens, promover a agricultura sustentável, fortalecer os padrões de segurança alimentar, monitorizar e regular os mercados de alimentos, investir em tecnologia para identificar riscos e conter o comércio ilegal de animais selvagens”, frisou o secretário-geral da ONU, António Guterres.

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