The Metropolitan Museum of Art

“Ceifeiros”, de Pieter Bruegel, o Velho.

Um biólogo e um historiador de arte juntaram-se para analisar obras de arte antigas e tentar perceber como é que as frutas e os vegetais evoluíram ao longos dos séculos.

Se olharmos para o quadro “Ceifeiros” (1565), de Pieter Bruegel, o Velho, podemos observar camponeses a trabalharem num campo de trigo, com colmos quase tão altos como eles.

“Hoje em dia, se caminhar por um campo de trigo, basicamente vê que o trigo fica mais ou menos à altura do joelho. A baixa estatura é essencialmente uma consequência da criação a partir da segunda metade do século XX”, explica Ive De Smet, biólogo da Universidade de Ghent.

Juntamente com David Vergauwen, um historiador de arte, De Smet estudou como é que obras de arte antigas podem elucidar a evolução de fruta e vegetais ao longos dos séculos.

“Os alimentos à base de plantas são abundantemente retratados por milhares de artistas ao longo dos tempos e oferecem uma visão vasta e única da impressionante evolução nas formas e cores dos alimentos modernos”, escreveram os autores do artigo a ser publicado na edição de agosto da revista científica Trends in Plant Science.

“Captar estas informações pode demonstrar quando e onde determinadas variedades surgiram, quão comuns elas eram e que correlação existia entre hábitos alimentares, rotas comerciais e terras recém-conquistadas”, explicam ainda os investigadores, citados pela VICE.

A ideia surgiu quando Vergauwen reparou num melão com um aspeto estranho na obra “A barraca de frutas” (1640), do pintor Frans Snyders. O cientista sugeriu que, talvez, naquele tempo os melões tivessem um aspeto diferente daquele que têm hoje. Em contrapartida, De Smet achou apenas que Snyders não seria bom a pintar frutas.

A partir daí, começaram a analisar obras de arte para perceber se poderiam ser úteis para perceber a evolução de frutas e vegetais.

“Podemos ter parte do código genético de certas plantas antigas, mas muitas vezes não temos amostras bem preservadas; portanto, olhar para a arte pode ajudar a colocar essas espécies num mapa do tempo e rastrear a sua evolução”, disse De Smet, que reconhece que isto se tornou num passatempo obsessivo.


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