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Ainda há esperança. O genoma do coala pode ajudar a salvar a espécie

Uma equipa internacional de cientistas identificou mais de 26 mil genes do coala que podem transformar-se em pistas preciosas para o desenvolvimento de vacinas e outras soluções que ajudem a salvar a espécie.

Os investigadores, que fazem parte do Koala Genome Consortium, sequenciaram mais de 3400 milhões de pares de bases do ADN e mais de 26 mil genes no genoma do coala. Esta espécie foi classificada pelo Governo australiano como “vulnerável” em 2012 em várias regiões do país, onde a sua sobrevivência era ameaçada pela urbanização e doenças.

O trabalho, publicado recentemente na revista Nature Genetics, pode ajudar os cientistas a evitar procedimentos invasivos na investigação da biologia dos marsupiais. “Estamos agora numa óptima posição para desenvolver melhores vacinas para tratar estes animais” disse à Reuters Katherine Belov, professora na Universidade de Sydney e uma das autoras do artigo.

Segundo o Público, uma das aplicações imediatas desta investigação poderá ser uma vacina para a clamídia, uma doença sexualmente transmissível que está a afetar estes animais, em muitos casos de forma fatal.

Quando o problema da clamídia não é tratado, os coalas podem ficar cegos, desenvolver inflamações graves da bexiga, ficar inférteis e até mesmo morrer. Por sua vez, o tratamento com antibióticos torna muito difícil a digestão das folhas de eucalipto, essenciais na dieta destes animais.

A investigação permitiu identificar detalhadamente os genes do sistema imunitário dos coalas, reunindo informação que será útil para atacar este problema com novas estratégias, nomeadamente de vacinas.

Além da clamídia, o retrovírus do coala (KoRV) é também uma preocupação, mas, para já, sabe-se muito pouco sobre esta enfermidade.

“O genoma completo do coala tem sido fundamental para mostrar que um só coala pode ter muitas (mais de uma centena) inserções do KoRV no seu genoma, incluindo muitas versões do KoRV”, explica Peter Timms, da Universidade de Sunshine Coast, em Queensland, citado pelo jornal.

As informações que estão agora nas mãos dos cientistas permitirão determinar quais as estirpes do KoRV que são mais perigosas e ajudar no desenvolvimento de uma vacina.

A sequência do genoma do coala é um passo significativo na ciência na medida em que representa o mais completo genoma marsupial até ao momento. Além disso, fornece ainda dados sobre a biologia única do coala que podem ajudar no tratamento de doenças e melhorar os esforços de conservação desta espécie.

O genoma dos coalas pode também ser a chave para programas de reprodução.