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Antártida está a derreter a um ritmo alucinante (e pode afetar Portugal)

Nos últimos 25 anos, a perda de gelo na Antártida contribuiu para uma subida do nível médio da água do mar de 7,6 milímetros. “Os impactos podem ser a vir muito grandes, principalmente em países que tenham linhas costeiras como Portugal”, alerta o investigador José Xavier.

A Antártida é o exemplo perfeito do efeito das alterações climáticas no nosso planeta, isto porque está a perder gelo continuamente. Aliás, desde 1950, já desapareceram 34 mil quilómetros quadrados da plataforma de gelo, indica um estudo publicado esta quinta-feira na revista Nature.

Uma edição especial da revista científica sobre a Antártida, denominada Choosing the future of Antárctica, vários cientistas explicam que a monitorização da região através de satélite mostra a contínua perda de gelo para os oceanos.

Esta análise tem por base os registos feitos durante décadas por cientistas das Universidades de Leeds (Reino Unido), da Califórnia (em San Diego, Estados Unidos) e de Maryland (Estados Unidos).

Embora o estudo indique que desde a era dos satélites não se tem aparentemente notado mudanças gerais muito significativas, há “sinais de um declínio de longo prazo“.

Assim, de acordo com os cientistas, as plataformas de gelo dos mares de Amundsen – que já teve três quilómetros de espessura – e de Bellingshausen estão 18% mais finas do que no início dos anos 90. Além disso, o aumento acentuado das temperaturas do ar fez colapsar plataformas de gelo na península antártica.

São mais de 150 os estudos tentam determinar quanto gelo o continente está a perder.

Um deles, também publicado nesta edição especial da Nature, envolveu 84 cientistas e 44 organizações, que combinaram 24 pesquisas por satélite. Com essas pesquisas concluíram que, entre 2012 e 2017, a Antártida perdeu 219 mil milhões de toneladas de gelo por ano, três vezes mais do que antes de 2012.

Com base nestes dados, os cientistas concluíram que as perdas de gelo da Antártida aumentaram os níveis do mar em 7,6 milímetros desde 1992, dois quintos desse aumento ou seja, três milímetros, nos últimos cinco anos.

Mas por que motivo a Antártida é um bom indicador para o estudo das alterações climáticas e da subida do nível do mar? No início do artigo sobre a perda de gelo, a resposta a esta pergunta surge bem evidenciada. “As camadas de gelo da Antárctida têm água suficiente para aumentar o nível global do mar em 58 metros.”

Assim, compreender o balanço da massa de gelo é fundamental para estimar as mudanças que ocorrem nessa região. Os estudos ganham dimensão se quisermos perceber os impactos – tanto atuais como futuros – das alterações climáticas.

Desde 1992, a Antártida já perdeu cerca de três biliões de toneladas de gelo, avança o Público. Andrew Shepherd, da Universidade de Leeds, frisou que as perdas de gelo aumentaram na última década, fazendo com que o nível da água do mar suba mais rapidamente do que em qualquer outro período nos últimos 25 anos.

Esta tem de ser uma preocupação dos Governos, reitera o cientista. Erik Ivins, da NASA, avisa que o estudo pode ser considerado o mais fiável sobre a massa de gelo do continente, tendo em conta o período de observação, o número de participantes e as técnicas utilizadas.

Em suma, segundo os cientistas, a Antártida Ocidental e a Península Antártica perderam gelo. Também o crescimento da camada de gelo na Antártida Oriental foi reduzido.

A Antártida Ocidental perdeu 53 mil milhões de toneladas de gelo por ano na década de 1990, passando para 159 mil milhões a partir de 2012. Desde o início do século o extremo norte do continente também está a perder anualmente 25 mil milhões de toneladas de gelo. A única zona de equilíbrio, a leste, ganhou apenas cinco milhões de toneladas de gelo por ano, nos últimos 25 anos.

José Xavier, investigador e professor da Universidade de Coimbra, envolvido no estudo, revela à TSF que se não tomadas medidas urgentemente, dentro de 10 anos grande parte dos efeitos que a ciência traça para 2070 já não poderão ser evitados.

“Os impactos podem ser a vir muito grandes, principalmente em países que tenham linhas costeiras como Portugal“, alerta o investigador.