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“Apoios públicos devem ser temporários”. Centeno pressiona Costa a não ceder ao Bloco e PCP

Miguel A. Lopes / Lusa

O governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, defendeu que os apoios públicos à crise provocada pela pandemia devem ser “temporários”. 

“Os apoios públicos devem ser temporários. Perante numa crise que não é estrutural, não devemos alterar as características fundamentais do nosso sistema de apoios sociais e económicos”, disse Mário Centeno esta segunda-feira na 10.ª Conferência do Banco de Portugal “Desenvolvimento económico português no espaço europeu”.

Segundo Centeno, escreve o ECO, a crise atingiu margens do tecido económico, empresarial e laboral que não estavam abrangidos por políticas tradicionais. Assim, defende, os apoios devem ser ainda mais focados, mas “temporários“.

Caso contrário, explicou o governador do Banco de Portugal (BdP) e ex-ministro das Finanças, torná-los permanentes poderá dificultar a resposta à atual emergência económica e a outras crises no futuro.

“Na verdade, alterações permanentes neste momento irão distorcer os atuais mecanismos de apoio à retoma da atividade, tornando-se mais difíceis de adaptar no futuro e correndo o risco de não responder às exigências da natureza da crise que temos em mãos“, explicou Centeno.

Para o responsável do banco central, investimento público só se for “sustentável e verde” para se poder pagar a si próprio e não se tornar mais um fardo para a economia.

Centeno teme que a resposta do Governo possa ser mal desenhada e gere despesa pública permanente. Portanto, defende que o executivo de Costa intervenha de forma contida com políticas públicas “que atuem nas margens” e de forma mais focada.

Em vez de respostas massivas, que podem conduzir a uma problema de despesa e de endividamento mais excessivo que o atual, os apoios devem ser menores e mais direcionados.

Segundo o semanário Expresso, esta ideia choca com o que defende o Bloco de Esquerda e o PCP, que pretendem resolver alguns dos problemas estruturais no mercado de trabalho e nos serviços públicos. Estes dois extremos – o que é temporário e o que é estrutural – separam o Governo da esquerda, numa altura em que o executivo luta para manter abstenções para aprovar o Orçamento de Estado para 2021 (OE2021).


Fonte: ZAP