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Aumento de temperatura vai fazer Península Ibérica “assar”, alertam cientistas

Universidade de Aveiro

Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro sugere que as temperatura da Península Ibérica vão aumentar de forma “muito preocupante” durante este século.

As previsões apontam que até 2100 podem ser registados “aumentos da temperatura média de dois a três graus ao longo de todo o ano, o suficiente para causar graves impactos no meio ambiente e na saúde pública”.

De acordo com o estudo, publicado recentemente na revista científica Climate Dynamics, “há mesmo regiões que poderão registar aumentos de quatro a cinco graus centígrados nas máximas diárias”.

“Aumentos das temperaturas vão ‘assar’ a Península Ibérica”, lê-se no título do comunicado citado esta quarta-feira pelo jornal Público. “As implicações poderão ser enormes”, alerta o coautor do estudo David Carvalho.

“O número de dias por ano com temperaturas máximas acima dos 40 graus centígrados poderá aumentar até cerca de 50 dias por ano no final deste século”, diz ainda o investigador. Assim, prevê-se que daqui a algumas décadas “poderemos ter três meses por ano em que as temperaturas máximas diárias são acima de 40 graus Celsius”.

Aliás, um estudo publicado em 2016 anunciava que, se não fosse invertido o atual ciclo de aquecimento global, a Península Ibérica poderia transformar-se num deserto até 2100.

David Carvalho salienta que os aumentos de temperatura vão certamente trazer “consequências significativas para a saúde humana, mas principalmente para o meio ambiente e em áreas como a agricultura, os fogos florestais, a desertificação ou a seca”.

Não só as temperatura máximas serão afetadas pelas alterações climáticas, mas também as temperaturas mínima e média diária.

“As temperaturas médias e máximas são projetadas para aumentar cerca de dois graus para o período 2046-2065 e quatro graus para 2081-2100, com frequências muito mais altas de dias acima de 20 (temperatura média) e 30 graus (temperatura máxima). Contudo, são projetados aumentos muito mais elevados no Sul de Espanha, nas cadeias montanhosas Cantábrico e Pirenéus, enquanto os mais baixos são projetados para as zonas costeiras atlânticas”, lê-se no estudo.