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Braço-de-ferro com os professores abre guerra entre o Governo e o Bloco

Está o caldo entornado na “geringonça” devido à contagem do tempo de serviço dos professores, com o Bloco de Esquerda a exigir a presença do ministro da Educação no Parlamento, acusando o Governo de manter uma postura “reprovável e inaceitável” neste processo.

O Bloco de Esquerda (BE) acusa o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, de “castigar os professores por causa de um braço-de-ferro com os sindicatos na contagem do tempo de serviço”. E assim, solicita a presença urgente do governante no Parlamento, para esclarecer o assunto.

Tiago Brandão Rodrigues ameaçou, esta segunda-feira, que o Governo pode não contar nenhum tempo de serviço congelado dos professores, depois de terem falhado as negociações com os sindicatos.

A ausência de acordo “significa ficar tudo como estava”, alertou o ministro da Educação aos jornalistas, no final de um dia de reuniões com os sindicatos de professores.

Os professores exigem a recuperação de nove anos, quatro meses e dois dias, enquanto que o Ministério da Educação está receptivo apenas à recuperação de até três anos. Mas Tiago Brandão Rodrigues ameaça retirar até esta proposta, caso os sindicatos não cedam nas suas pretensões.

“Neste momento, o Governo entende que não existem condições para que se possa chegar a um acordo”, referiu o ministro, salientando que “não há espaço para continuar as negociações” perante a falta de “flexibilidade e maleabilidade” dos sindicatos.

“Governo não pode fazer chantagem”

“O Governo quer castigar milhares de professores por causa de um braço-de-ferro com os sindicatos”, acusa o BE, através da deputada Joana Mortágua, em declarações à Lusa.

“Há uma lei do Orçamento do Estado que diz que o Governo tem de negociar com os sindicatos o tempo e o modo da recuperação do tempo de serviço”, lembra ainda a bloquista, já em declarações à TSF.

“O Governo não pode fazer uma chantagem deste tipo”, acrescenta a deputada, frisando que “não estamos a falar de uma impossibilidade orçamental”, mas de “uma teimosia do Governo, que entrou numa negociação com uma proposta inaceitável”.

Os sindicatos de professores vão voltar a reunir-se, mas já se admite a possibilidade de prolongar e de alargar a greve que vai arrancar a 18 de Junho.

Inicialmente convocada para as reuniões de avaliação, já se temia que a greve pudesse “lançar o caos” nas escolas. Mas os professores admitem agora fazer greve também aos exames nacionais e às aulas, e até aos primeiros dias do próximo ano lectivo, caso o Governo mantenha a intransigência na contagem do tempo de serviço.

Fonte: ZAP