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Caso de corrupção investigado em Espanha também implica Dias Loureiro por “venda especial” à filha

Andre Kosters / Lusa

Manuel Dias Loureiro, ex-administrador do BPN e pai de Catarina Loureiro

O nome de Dias Loureiro, ex-ministro do PSD, também surge envolvido na investigação da justiça espanhola ao ex-embaixador Raúl Morodo e ao filho Alejo, por suspeitas de branqueamento de capitais. Em causa está a venda de um imóvel, em Madrid, feita pela empresa do antigo ministro à filha e ao genro por cerca de um quarto do seu real valor de mercado.

A justiça espanhola suspeita que esta venda pode configurar um eventual crime de branqueamento de capitais, como refere a revista Sábado que teve acesso ao processo.

Dias Loureiro assume, em declarações ao Público, que foi uma “venda especial” pelo facto de a compradora do imóvel ser a sua filha, Ana Catarina Loureiro.

O imóvel foi vendido em Julho de 2017 pela DL-Gestão e Consultoria, empresa que é, actualmente, detida em 100% por Dias Loureiro, como o próprio assume ao jornal. “Foi uma sociedade criada há mais de 20 anos em meu nome, da minha então mulher e das minhas filhas”, refere, salientando que acabou por ficar com a totalidade das acções da sociedade que tem mais de 8 milhões de euros de activos.

O apartamento com 242 m2, localizado numa das zonas mais caras de Madrid, foi adquirido pelo casal que vive em regime de separação de bens, em Julho de 2017, mas já lá residia desde 2002, ano em que o imóvel foi comprado, como conta Dias Loureiro ao Público.

Dei uma casa a cada uma das minhas filhas. A de Madrid custou 800 mil euros”, frisa o antigo ministro, notando que o valor da compra foi sendo amortizado nas contas da empresa. Até que, em 2017, foi vendido à filha “por 350 mil euros porque era o valor contabilístico da casa na DL”. “Era o preço mínimo de venda. A empresa não podia doá-la”, aponta Dias Loureiro.

O antigo secretário-geral do PSD acrescenta que a filha não tinha o valor completo para a compra e que, por isso, o genro ficou com uma parcela do imóvel, de 22%.

Aquando da venda, o casal já não morava lá e tinha arrendado o imóvel.

Um ano depois, o apartamento foi avaliado em 1,3 milhões de euros, ou seja, “quase quatro vezes mais do que o valor do negócio inscrito na escritura”, como aponta o Público.

Dias Loureiro assegura que não houve qualquer ilegalidade e garante não ter ligações às suspeitas de corrupção investigadas pela justiça espanhola e que envolvem também António Vitorino, ex-ministro do PS e amigo do antigo ministro do PSD, que terá recebido cerca de 300 mil euros em transferências suspeitas.

O processo investiga o alegado desvio de 4,5 milhões de euros da petrolífera estatal venezuelana que terão chegado às contas do ex-embaixador espanhol na Venezuela e em Portugal, Raúl Morodo, e do seu filho Alejo que é casado com a filha de Dias Loureiro.

A filha do antigo ministro também surge envolvida no processo de corrupção por haver suspeitas de que a empresa de que é sócia, a Intercatera Desarrollo SL, entrou no alegado esquema de branqueamento de capitais.

Fonte: ZAP