Eleito nas Autárquicas de 2025 com 51,31% dos votos, o novo presidente da Câmara Municipal de Castelo de Paiva traça os objetivos do seu primeiro mandato. A estabilidade financeira, o aproveitamento do PRR na Saúde e a reorganização interna marcam o arranque da governação. Mais de cem dias após ter assumido a presidência da Câmara Municipal de Castelo de Paiva, Ricardo Cardoso faz um balanço positivo do início do seu primeiro mandato. Eleito pelo Partido Socialista, o autarca confessa que o sentimento imediato ao sentar-se na liderança do município foi de “responsabilidade” para com os munícipes e o território.
Para responder ao que classifica como “um grande desafio”, o autarca alterou significativamente a sua rotina, com entradas muito cedo e saídas muito tarde da autarquia. Os primeiros processos que exigiu analisar refletem as fragilidades imediatas identificadas no concelho: o estado da Rua Direita, as zonas industriais e as infraestruturas municipais de água e saneamento, que descreve como estando numa situação “muito débil”.
O combate ao desperdício de água e reorganização de serviços
A rede de abastecimento é, aliás, uma das maiores prioridades. Ricardo Cardoso aponta Castelo de Paiva como o “concelho do país com mais fugas e desperdício de água”. Para inverter este cenário, garante que já está a ser desenvolvido um programa específico que avançará para o terreno nos próximos meses. Ainda no plano das intervenções a curto prazo, o município pretende avançar este ano com o Parque Urbano da Quinta da Boavista.
A nível interno, os primeiros meses ficaram marcados por algumas medidas estruturais. O presidente confirma que efetuou alterações na forma de trabalhar e na estrutura municipal, estando a avaliar a implementação de novas reorganizações nos serviços ao longo deste ano.
No que toca à situação financeira do município, Ricardo Cardoso descreve o cenário como “estável”, embora admita a existência de desafios com encargos por liquidar. O objetivo passa por cumprir esses pagamentos e equilibrar as contas para poder projetar o desenvolvimento e lançar novas intervenções nas freguesias.
Habitação, PRR e a exigência de mais verbas ao Governo
Para além das infraestruturas, o emprego e a habitação são os grandes eixos da governação para fixar os jovens no território. Para mitigar a crise habitacional, a autarquia está a atuar em duas frentes: através da Estratégia Local de Habitação, para dar resposta às necessidades de habitação social, e através do lançamento de lotes de terreno a custos controlados, para que os jovens paivenses possam construir habitação própria a preços acessíveis.
No aproveitamento dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a obra prioritária é a Unidade de Saúde Familiar (USF) / Centro de Saúde de Oliveira do Arda. O autarca adianta que o concurso público já se encontra aberto, com a meta de adjudicar a empreitada até ao final do mês de junho.
Ainda na área da Saúde e também na Educação, Ricardo Cardoso mostra-se insatisfeito com as verbas transferidas pelo Estado no âmbito da delegação de competências. O edil considera que o valor “nunca é suficiente”, reivindicando um reforço por parte do Governo para garantir melhores condições e a contratação de mais funcionários nestes setores.
Mobilidade em duas frentes e equidade política
Na área da mobilidade, a estratégia autárquica divide-se entre as ligações externas e internas. Para o exterior, o plano passa por reforçar os transportes públicos nos dois eixos principais de deslocação laboral dos paivenses: a ligação a Penafiel, Paços de Ferreira e Paredes, e a ligação ao Grande Porto. A nível interno, a Câmara está a trabalhar na implementação de uma rede de transporte a pedido, garantindo a ligação das populações à sede do concelho e às unidades de saúde.
No plano político, Ricardo Cardoso descreve a relação com a oposição como “uma relação normal de trabalho e de debate político”. Quanto às Juntas de Freguesia, o autarca assegura um tratamento estritamente igualitário, garantindo intervenções em todo o território. O presidente frisa que o único presidente de junta eleito por uma força política adversária será tratado exatamente da mesma forma que os restantes oito.
A olhar para o final do mandato, em 2029, Ricardo Cardoso ambiciona deixar a marca de um concelho inovador, com espaços de lazer qualificados e desenvolvido ao nível do emprego e habitação, tornando Castelo de Paiva “uma referência do território e, quiçá, do país”. Historicamente, gostaria de ser recordado como o presidente que “fez muito por Castelo de Paiva”.
Aos munícipes, quer aos que o elegeram, quer aos que não votaram em si, o novo presidente deixa um apelo final: “Confiem em nós e no nosso trabalho. Estamos a trabalhar afincadamente para não desiludir os paivenses e melhorar a vida de todos”.


