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Cidade brasileira de Manaus pode já ter atingido a imunidade de grupo

Alex Pazuello / Semcom

Sepultamentos no Cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus, Brasil

Um estudo liderado pela Universidade de São Paulo, no Brasil, sugere que a cidade brasileira de Manaus, a capital do estado do Amazonas, pode já ter atingido a imunidade de grupo para o novo coronavírus (covid-19).

Exames a anticorpos demonstraram que até dois terços da população da Manaus já contactou com o SARS-CoV-2, levando a equipa internacional de especialistas, que contou com a participação de cientistas do Brasil, Reino Unido e Estados Unidos, a acreditar que a cidade sul-americana já atingiu a imunidade de grupo.

Manaus, recorde-se, foi notícia durante primeira onda da pandemia por causa do colapso do seu sistema de saúde, bem como pelas dificuldades da cidade em lidar com as cerimónias fúnebres de tantas vítimas mortais da covid-19.

De acordo com o novo estudo, o pico de contágio da doença na cidade ocorreu em meados do meado, altura em que cerca de 46% dos moradores já tinham contraído a doença. No mês seguinte, isto é, em junho, foi registada uma taxa de infeção na ordem dos 65%, que nos meses seguintes se aproximou dos 66%.

Tendo em conta estes números, os especialistas acredita que a maioria da população já teve ou tem a doença, gerando os anticorpos correspondentes no organismo.

Os cientistas, que disponibilizaram os resultados do estudo – ainda não revisto por pares – no portal medRxiv, acreditam que a imunidade de grupo pode justificar o decréscimo no número de novos casos na cidade. “A própria exposição ao vírus causou a queda no número de novos casos e mortes”, disse Ester Sabino, coordenadora da investigação.

Ainda assim é necessária cautela

Contudo, Lewis Buss, um dos especialistas envolvidos na nova investigação, alerta que os anticorpos detetados nas suas análises “decaem rapidamente” e “alguns meses após a infeção”. Por isso, pede cautela e medidas para continuar a travar a doença.

“Está claramente a acontecer em Manaus, o que mostra a importância da adoção de medidas para entender a evolução da doença”.

Thomas Russo, chefe da divisão de doenças infecciosas da Escola Jacobs de Medicina e Ciências Biomédicas da Universidade de Buffalo, nos EUA, não sabe se o fenómeno da redução de casos e mortes pode só ser justificado pela alegada imunidade de grupo.

É um pouco difícil determinar se o fenómeno é fruto da imunidade de grupo ou de uma combinação de coisas (…) Mas é intrigante”, disse ao portal Popular Science.

O Brasil atingiu esta semana as 4,6 milhões de pessoas diagnosticadas com a covid-19 (4.624.885) e aproxima-se das 139 mil mortes (138.977), informou o Ministério da Saúde.

Desse total, 869 mortes e 33.281 infetados foram contabilizados nas últimas 24 horas, estando ainda a ser estudada uma possível relação de 2.422 óbitos com a covid-19.

Em território brasileiro, 3.992.886 de pacientes diagnosticados já recuperaram da doença causada pelo novo coronavírus, enquanto que 493.022 infetados estão sob acompanhamento médico, segundo as autoridades nacionais de Saúde.

No Brasil, país lusófono mais afetado pela pandemia, os estados que concentram o maior número de infeções são São Paulo (951.973), Bahia (299.415), Minas Gerais (276.314) e Rio de Janeiro (254.885). No topo da lista de unidades federativas com mais mortes estão também São Paulo (34.492), seguido pelo Rio de Janeiro (17.911), Ceará (8.861) e Pernambuco (8.085).