Bering Land Bridge National Preserve / Wikimedia

Balaena mysticetus, também conhecida como baleia da Gronelândia

As baleias da Gronelândia emitem sons tão variados que podem ser comparados a música jazz devido ao som fluido, improvisado e complexo.

Segundo com um novo estudo, publicado no Proceedings of the Royal Society, as “Balaena mysticetus”, também conhecidas como baleias da Gronelândia, emitem sons tão variados e cantos tão complexos que podem ser comparados com músicas de jazz.

Estes animais, que vivem próximo do arquipélago norueguês de Svalbard, podem ser uma espécie única entre todas as baleias e mesmo entre os mamíferos. De acordo com a pesquisa, estas baleias polares emitem sons que podem ser tão variados como os dos pássaros canoros, ou seja, as quatro mil espécies de aves que têm órgãos vocais bastante desenvolvidos (entre elas o sabiá, o rouxinol e a andorinha).

Kate Stafford, investigadora na Universidade de Washington, nos EUA, e líder do estudo, explica que, “se o canto da baleia jubarte é como música clássica”, por ter uma ordem bastante clara, o da baleia da Gronelândia “é como jazz”, por ser um tipo de som fluido, improvisado e complexo.

“Ao analisarmos as gravações que fizemos ao longo de diferentes invernos, não só os tipos de canção não se repetem como, a cada estação, há uma série de novas canções”, explica.

Acasalamento e caça

Durante três anos de observação, o grupo de baleias produziu 184 canções únicas. As vocalizações foram detetadas em qualquer momento do dia e ao longo da maioria do inverno de cada ano, quando se dá a época de acasalamento destes animais.

“O alfabeto das baleias da Gronelândia tem milhares de letras”, disse Stafford à BBCs “Enquanto a canção de uma jubarte pode durar entre 20 a 30 minutos, uma canção de uma baleia da Gronelândia pode ter de 45 segundos a dois minutos, repetindo-na várias vezes”, explica.

Outra diferença é que, enquanto as jubarte cantam canções semelhantes ao longo de uma temporada, as baleias da Gronelândia variam o tipo de canção numa questão de horas ou dias. Este é um fenómeno incomum, já que a maioria dos mamíferos emite sons de acasalamento específicos e repetitivos, que não variam.

No entanto, os cientistas ainda não conseguiram determinar porque é que há uma diversidade tão grande de cantos e se, por exemplo, estes animais cantam a mesma coisa durante toda a vida ou se muda de uma estação para outra.

Não foi possível contar o número de animais do grupo através das gravações realizadas mas trabalhos anteriores na mesma região estimam que sejam pelo menos 343 baleias.

“É um mistério que será difícil de solucionar”, afirma Stafford. “Mas ser capaz de ouvir o que ocorre sob o gelo neste local remoto é incrível”.

Espécie ameaçada

As baleias da Gronelândia podem viver até aos 200 anos e têm a habilidade de quebrar uma barreira de até meio metro de gelo. Infelizmente, a sua capa de gordura é também a mais grossa entre todas as espécies de baleias, o que fez com que começassem a ser caçadas no início dos anos 1600.

A redução do número destas baleias e as duras condições do seu habitat natural fizeram com que fossem pouco estudadas. Por outro lado, outros grupos desta espécie, como as do Ártico Ocidental, são mais estudadas graças ao conhecimento acumulado pelos povos nativos do Alasca, explica Stafford. Mas, ainda assim, sabemos “relativamente pouco” sobre a espécie, afirma.

No total, existem cerca de dez mil baleias da Gronelândia.

Fonte: ZAP

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