Início Ciência Desvendado o mistério: Plutão tem mesmo dunas (mas não são de areia)

Desvendado o mistério: Plutão tem mesmo dunas (mas não são de areia)

NASA/JHUAPL/SwRI

Imagem de Plutão captada a partir da sonda New Horizons

Uma equipa internacional de cientistas descobriu que Plutão tem dunas, que se formaram a partir de grãos de metano congelado libertados na sua atmosfera pouco densa.

Quando a sonda New Horizons passou muito perto da superfície de Plutão, em 2015, tivemos oportunidade de ver que Plutão tinha estruturas na sua superfície, sem saber, porém, o que eram.

Agora, uma equipa de cientistas do Reino Unido, França, Alemanha e dos Estados Unidos confirma que entre essas estruturas estão dunas e explica como estas se formaram.

A possibilidade de existência de dunas em Plutão era um mistério, dado que as dunas apareceram num planeta com muita pouca atmosfera e onde a temperatura à superfície ronda os -230ºC.

“Ver dunas em Plutão – se realmente forem dunas – será completamente alucinante, porque atualmente a atmosfera de Plutão é muito fina”, considerava William B. McKinnon, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, em setembro de 2015.

Os cientistas voltaram a analisar as imagens recolhidas pela New Horizons e afirmaram que Plutão tem mesmo dunas. Num artigo científico, publicado esta sexta-feira na Science, os cientistas detalham que as dunas estão distribuídas ao longo de menos de uma área de 75 quilómetros e que ficam numa região montanhosa, mesmo no limite da planície gelada de Sputnik.

SwRI / JHUAPL / NASA

As dunas de metano detetadas em Plutão

Análises espaciais feitas às duna e a rastos deixados pelo vento no solo e através do uso de um modelo espectral e numérico, os astrónomos descobriram que as dunas terão surgido a partir de grãos de gelo de metano libertados na atmosfera rarefeita de Plutão.

Os grãos terão sido transportados por ventos moderados para o limite da planície gelada e da região montanhosa. Esses ventos podem alcanças entre 30 a 40 quilómetros por hora, explica o Público.

“Segundo os nossos cálculos, seriam necessários ventos de 800 quilómetros por hora para iniciar o transporte. No entanto, não há em Plutão ventos muito mais fortes do que estes ”, indica Eric Parteli,  físico e geocientista brasileiro da Universidade de Colónia e um dos autores do estudo.

Mas como foi então possível o transportes dos grãos? “A ejeção de partículas do solo para a atmosfera como resultado de processos de sublimação, os quais são causados por irradiação solar”, responde Parteli.

As dunas formam-se quando o vento não muda de direção e orientam-se perpendicularmente à direção do vento. Os cientistas sugerem que as dunas se tenham formado nos últimos 500 mil anos ou mais cedo, pelo que são estruturas “formadas num passado geológico muito recente”.

Embora ainda haja muitas perguntas por responder, como se há mais dunas noutras partes de Plutão, o cientista refere que “este estudo é o primeiro a mostrar que o vento é, de facto, um agente geológico fundamental para se entender a superfície de Plutão”.

Plutão junta-se assim a outros corpos celestes do Sistema Solar que também têm dunas: os planetas Terra, Marte e Vénus, a lua Titã e, talvez, o cometa 67P/Churiumov-Gerasimenko.

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