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Fracking poderá ter causado terramoto na Coreia do Sul em 2017

phploveme / Flickr

A cidade de Pohang, na Coreia do Sul, foi abalada por um forte tremor de terra em 2017

O terramoto que o ano passado abalou a cidade industrial de Pohang, na Coreia do Sul, poderá ter sido causado por fracking.

Segundo apontam dois estudos académicos citados pelo The Guardian, o sismo que o ano passado abalou a cidade de Pohang, na Coreia do Sul, poderá ter sido causado por fracking.

A 15 de novembro de 2017, um terramoto de magnitude de 5,5 abalou Pohang, no sul do país, fazendo quase 100 feridos e danificando milhares de edifícios, num prejuízo estimado de milhões de dólares.

Durante dois anos, um projeto local de energia geotérmica esteve a injetar água altamente pressurizada em poços de 2 a 4 quilómetros de profundidade. Este processo,  conhecido como fracking, ou fraturamento hidráulico, é uma técnica controversa que cria ou aperfeiçoa fraturas nas rochas para aproveitar o calor armazenado dentro delas.

Uma vez que a rede de fraturas estava ligada a dois furos, o plano era bombear água para um deles, fazendo-a circular através da rocha de granito, absorvendo o calor e, depois, extraí-la através do outro furo, usando o calor para gerar eletricidade. Depois, a água arrefecida voltava a ser injetada para recomeçar o processo.

As ligações propostas de causa-efeito agora identificadas fazem do terramoto de Pohang o maior registo para o qual o fracking é a causa provável.

O record anteriormente registado estava ligado ao desenvolvimento geotérmico – de magnitude 3,4 – ocorrido há uma década na cidade de Basileia, na Suiça, explica Rob Westaway, investigador da Universidade de Glasgow, num artigo no The Conversation.

Dez dias após o terramoto ter assolado a cidade de Pohang, o governo sul-coreano suspendeu as operações que usavam energia geotérmica e ordenou uma investigação sobre uma possível ligação, que ainda se encontra em andamento.

O primeiro dos dois artigos contou com a colaboração de diversos pesquisadores da Suiça, Alemanha e Reino Unido. E, para a sua realização, foram utilizados dados de domínio público de sismógrafos e satélites remotos de sensoriamento para determinar a localização e a posição da falha geológica em causa no terramoto.

Em ambos os dados analisados, as conclusões indicam a rutura de uma falha que vai desde o sudoeste para o nordeste, mergulhando abruptamente a noroeste. De acordo com as gravações dos satélites, a rocha localizada acima desta falha moveu-se para cima, levantando a superfície da Terra em quatro centímetros.

Esta análise indica que a falha está numa faixa de profundidade compreendida entre três a seis quilómetros, abrangendo a profundidade da injeção e passando dentro de centenas de metros dos furos. Assim, estes dados sugerem fortemente uma conexão entre a injeção de fluído de alta pressão e o terremoto.

Já o segundo artigo, levado a cabo por cientistas coreanos, explica que a localização de muitas das réplicas do terramoto de Pohang, define com mais precisão o plano da falha. A investigação mostra a falha a passar entre as bases dos dois furos onde a água foi injetada, cortando através de um poço a uma profundidade de cerca de três a quatro quilómetros.

As conclusões dois trabalhos são consistentes entre si, apesar dos diferentes tipos de dados utilizados, podendo indicar que o fraturamento foi a causa do terramoto.

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