Josh Barrington, ESA / NASA

A Grande Nuvem de Magalhães

Afinal, a nossa galáxia esteve cercada não por duas, mas por três nuvens de Magalhães. A terceira foi dilacerada em pedaços e “comida” pela Grande Nuvem de Magalhães há cerca de três mil milhões de anos, afirmam cientistas.

“Algumas das estrelas dentro da Grande Nuvem de Magalhães estavam a ir para o lado errado porque entraram nessa galáxia depois da colisão com a Pequena Nuvem”, afirmou Benjamin Armstrong, da Universidade da Austrália Ocidental, num artigo publicado o mês passado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

“Acontece que elas começaram a movimentar-se desse modo quando a Grande Nuvem se fundiu com um terceiro objeto“, acrescentou o astrónomo.

A Via Láctea não está sozinha no espaço. Tem companhia de todo um conjunto de várias dezenas de galáxias anãs relativamente pequenas, das quais as mais notáveis e maiores são as chamadas Grande e Pequena Nuvem de Magalhães.

Como observa Armstrong, essas galáxias atraíram por muito tempo a atenção dos astrónomos pelas suas formas irregulares, que testemunham colisões entre as nuvens Grande e Pequena no passado.

Armstrong e o seu colega Kenji Bekki descobriram como essas anomalias surgiram e encontraram vestígios de outro satélite da Via Láctea, que “morreu” num passado cósmico relativamente recente.

Os astrónomos estudavam várias estrelas “estranhas” que habitam dentro da Grande Nuvem de Magalhães quando fizeram a descoberta.

Essas estrelas, segundo os astrónomos, têm várias características incomuns ao mesmo tempo. Contêm uma quantidade “errada” de metais astronómicos, elementos mais pesados que o hidrogénio e o hélio, e giram em torno do centro da Grande Nuvem de Magalhães ao longo de uma trajetória muito estranha.

Essas e outras anomalias relacionam-nas às estrelas da Pequena Nuvem de Magalhães, o que faz com que muitos cientistas pensem que chegaram à sua atual morada durante uma das colisões entre a Grande Nuvem de Magalhães e a Pequena Nuvem de Magalhães.

Observações recentes dessas estrelas “estranhas” mostraram que cerca de 5% do número total de estrelas da Grande Nuvem de Magalhães se comporta de maneira semelhante.

Isso, como observa Armstrong, pôs imediatamente em questão as teorias sobre sua origem, uma vez que tantas estrelas não conseguiriam “escapar” da Pequena Nuvem de Magalhães durante seu último “encontro” com a Grande Nuvem de Magalhães.

Na tentativa de encontrar a resposta para essa pergunta, os astrónomos criaram um modelo de computador das vizinhanças mais próximas da Via Láctea, analisando o comportamento da Grande Nuvem de Magalhães durante esse período.

Conforme os cálculos, essas estrelas poderiam ter aparecido dentro da Grande Nuvem de Magalhães somente se, há três mil milhões de anos, esta galáxia tivesse “comido” outro objeto com forma e tamanho similar a ambas as nuvens de Magalhães.

Se isso for verdade, uma coisa é presumível: é possível que uma grande parte da Via Láctea tenha sido uma entidade única antes mesmo do “encontro” com a nossa galáxia. A favor disso está o facto de a Grande Nuvem de Magalhães e a Pequena Nuvem de Magalhães terem reservas “comuns” de matéria escura.

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