R. Puttaswamaiah

Os louva-a-deus são capazes de capturar e comer vários tipos de animais, desde insetos, lagartos, pequenos pássaros e até cobras e sapos. O que ainda não se sabia é que este animal era capaz de pescar – até então.  

Um grupo de cientistas observou, pela primeira vez, um louva-a-deus na Índia a alimentar-se de um peixe. De acordo com um novo estudo, publicado na semana passada, esta é a primeira vez que o comportamento é observado.

O comportamento do inseto – um enorme exemplar de louva-a-deus asiático (Hierodula tenuidentata) não foi manipulado. A equipa de investigação, liderada por Roberto Battiston, dos Museus Canal de Brenta, na Itália, começou a estudar o comportamento do animal depois de um dos investigadores o ter observado no seu quintal.

O jardim da casa do investigador tinha um pequeno largo artificial cheio de pequenos peixes (guppy), onde o louva-a-deus capturou nove dos quarenta peixes.

Durante o processo de caça, o inseto caminhava sobre as folhas e as plantas aquáticas, usando-as como plataformas de pesca. Quando estava no topo, esperava pacientemente pela aproximação das presas, apanhando-as ao cravar as suas poderosas pata dianteiras.

Os cientistas observaram o comportamento do animal durante cinco dias, provando que um macho adulto da espécie é capaz de pescar e devorar pequenos peixes. Depois do quinto dia consecutivo, o louva-a-deus não voltou ao local.

A investigação sugere que os louva-a-deus são capazes de aprender coisas complexas, já que os peixes movem-se de forma diferente dos outros insetos e animais que os louva-a-deus costumam caçar. Além disso, estes insetos demonstraram ser capazes de desenvolver habilidades técnicas e estratégicas de pesca.

Contudo, ressalta o estudo, “a abundância da presa num lugar particular associado à facilidade de capturar as suas propriedades nutricionais podem ter sido fatores importantes para este comportamento, podendo influenciar indiretamente a aptidão individual que deverá ser estudada posteriormente”.

A espécie demonstrou ainda capacidades visuais, uma vez que os animais capturavam os pequenos peixes entre o fim do dia e a madrugada.

“É uma crença comum que os insetos são organismos simples e de difícil conexão. No entanto, os insetos são capazes de comportamentos incrivelmente complexos”, considerou Gavin Svenson, um entomologista do Museu de História Natural de Cleveland, em declarações à National Geographic.

“Acredito que estamos apenas a arranhar a superfície do que sabemos sobre estes insetos”, rematou o especialista que não estive envolvido na pesquisa.

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