Um estudo recente, publicado na Nature Human Behaviour, mostra que existem quatro tipos de personalidade: média, reservada, egocêntrica e modelo a seguir.

A literatura científica sempre teve uma certa repulsa à tipificação e a verdade é que descrever a personalidade de um indivíduo pode ser uma tarefa bastante difícil. Apesar da infinidade de personalidades que podem existir, um estudo recente aponta que, no fundo, a espécie humana se resume a apenas quatro tipos.

O estudo, publicado esta segunda-feira na Nature Human Behaviour, analisou dados de 1,5 milhões de pessoas e concluiu que existem quatro tipos de personalidade: média, reservada, egocêntrica e modelo a seguir.

A verdade é que os seres humanos se tentam caracterizar desde tempos antigos. “Estas ideias remontam a gregos como Hipócrates”, diz Martin Gerlach, investigador pós-doutorado que estuda sistemas complexos da Universidade norte-americana de Northwestern.

No entanto, a existência de tipos de personalidade não é consensual entre psicólogos. Em vez disso, existe acordo sobre a existência de traços de personalidade “que podem ser medidos de forma consistente entre idade e culturas”, disse o português Luís Nunes Amaral, co-diretor do Instituto Nortwestern de Sistemas Complexos e um dos cientistas envolvidos neste estudo.

Segundo o Diário de Notícias, os cinco traços comummente aceites são a abertura para a experiência, a conscienciosidade, a extroversão, o neuroticismo (ou instabilidade emocional) e a agradabilidade.

No modelo que é abordado neste estudo recente, a cada um dos cinco traços é dado um valor. A combinação dos valores permitiu, então, isolar quatro grandes grupos de dados e, desta forma, definir quatro tipos de personalidade.

“O que é novo neste estudo é que a escolha dos cinco grandes traços mantém-se como um ponto de partida”, diz John A. Johnson, psicólogo da Universidade da Pensilvânia. No fundo, este estudo “faz uma defesa forte da existência de tipos de personalidade definidos por configurações dos cinco grandes traços de personalidade”.

As conclusões foram suficientes para convencer os especialistas mais céticos que concordaram com as quatro personalidades gerais. Assim, a personalidade “média” é aquela que se caracteriza como a mais comum, isto é, a que é algo extrovertida, mas sem demasiada abertura. Este tipo de personalidade é mais comum às mulheres, adianta o Washington Post.

Já a personalidade “reservada” difere-se por ter ainda menos abertura, sendo que é o tipo de personalidade mais estável a nível emocional. Além disso, tende geralmente a ser “agradável e com conhecimento”, explica o Diario Sur.

O “modelo a seguir” é o tipo de personalidade apontada a uma faixa etária mais adulta, e, sem surpresas, pertence ao grupo de “pessoas fiáveis e que estão abertas a novas ideias”. Luís Amaral resume este tipo numa só frase: “são boas pessoas para ficar a cargo”.

Por último, os “egocêntricos” que são aqueles que tendem a focar-se apenas em si mesmo. Apesar de não serem os mais amáveis, esta é uma característica que tende a decrescer com o avançar a idade. Luís Amaral descreve estas pessoas em termos “não técnicos” de uma forma muito simples: são “imbecis”.

O cientista e líder da investigação refere ainda, segundo o Newshub, que este estudo pode ser útil na contratação de profissionais ou, num campo mais pessoal, na busca do parceiro ideal. Se quiser fazer parte da pesquisa, visite o The SAPA Project.

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