Bill Douglas, Cinema Museum / University of Exeter

Apesar de na Era Vitoriana não ter existido Netflix, as pessoas que viviam nos anos 1800 e no início dos anos 1900 tinham algo que a substituía: a lanterna mágica.

As lanternas mágicas foram a forma inicial do projetor de slides, conseguindo mostrar imagens em 3D e até mesmo em movimento para entreter o público da Era Vitoriana. No entanto, devido ao preço altíssimo das lanternas, os historiadores suspeitavam de que poucos conseguiam usufruir desse objeto.

Mas, segundo novas pesquisas, estes projetores eram muito mais comuns e acessíveis do que se pensava. Famílias da classe média alugavam regularmente estas lanternas mágicas, especialmente para festas de aniversário, feriados ou outros eventos sociais. Apesar de ainda não ter sido publicada, a pesquisa foi apresentada no dia 29 de agosto na Conferência Anual da Associação Britânica de Estudos Vitorianos, na Universidade de Exeter.

John Plunkett, professor de inglês na universidade britânica, conseguiu chegar a esta conclusão através da análise de jornais daquela Era. O investigador encontrou um conjunto de várias propagandas a lanternas mágicas, o que sugeriu que os vitorianos alugavam apresentações de slides que podiam, posteriormente, ser exibidas em lanternas mágicas.

“Tal como a Netflix ou as muitas lojas que alugam filmes ou jogos, na Era Vitoriana existia também uma forma semelhante que permitia o acesso a media visual, muitas vezes inacessível”, disse Plunkett à Live Science.

As pessoas começaram a usar lanternas mágicas nos anos 1500, mas foi só no início da segunda metade do século XIX que a tecnologia se tornou mais difundida, quando oculistas, fotógrafos e papelarias começaram a alugar estes aparelhos.

“Sabemos que as famílias vitorianas ficaram encantadas com as lanternas mágicas e com os estereoscópios. Agora sabemos também que isso impulsionou uma próspera prática comercial de contratar ou alugar lanternas e slides“, disse Plunkett.

Mas, ao contrário da Netflix, montar uma lanterna mágica não era tarefa fácil. Inicialmente, o dispositivo usava uma vela para iluminar os slides, mas, mais tarde, começou a ser usada uma luz mais forte que resultava da queima de cal mineral com uma mistura de hidrogénio e oxigénio.

Como é óbvio, esta estratégia mostrou-se muitas vezes desastrosa e perigosa. “Há vários relatos de acidentes e explosões”, conta o investigador. Foi então que as pessoas começaram a apostar nesta forma de lazer e a pagar às “operadoras” para instalar a lanternas mágicas nas suas casas: a Netflix, agora segura, daquele tempo.

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