Um recente estudo sugere que o ruído branco, que tantas vezes nos incomoda na hora de adormecer, pode ser perigoso para o nosso cérebro.

O barulho constante do ar condicionado ou o som da televisão quando não está sintonizada é aquilo a que chamamos de ruído branco, o sinal sonoro que contém todas as frequências na mesma potência. Os dispositivos eletrónicos emitem esse som que, de acordo com um estudo recente, publicado no JAMA Otolaryngology – Head & Neck Surgery, afeta o nosso cérebro.

“Nos últimos anos, os neurocientistas aprenderam muito sobre a plasticidade cerebral, de que forma os estímulos sensoriais alteram a química cerebral, estrutural e funcionalmente”, explica a cientista Mouna Attarha, investigadora da Posit Science Corporation.

Segundo a cientista, há cada vez mais evidências de que o cérebro reage de maneira negativa quando é alimentado com informações aleatórias, como o ruído branco. Neste artigo científico, Attarha e a sua equipa da Universidade da Califórnia, em São Francisco, sugerem que o ruído de fundo do ruído branco pode ser prejudicial ao nosso sistema auditivo central.

Embora os mecanismos biológicos por trás do zumbido sejam totalmente percetíveis, os cientistas descobrem continuamente evidências de que os sintomas estão ligados a mudanças mensuráveis em várias partes do cérebro que vão além da simples perda auditiva.

Embora não haja evidências significativas em humanos para sugerir que sons de baixo volume como o ruído branco possam causar este tipo de alterações no sistema auditivo central, a equipa de cientistas cita estudos em animais que sugerem que a exposição prolongada afeta os seus cérebros.

“Uma experiência  conduzida em animais, mostrou que a exposição durante um longo período de tempo ao ruído não traumático é capaz de induzir uma reorganização plástica mal adaptativa do sistema nervoso auditivo central”, explicaram os autores.

“Estas mudanças foram observadas após a exposição aos níveis de ruído na faixa de nível de pressão sonora de 60 a 70 dB, típica dos geradores de ruído disponíveis no mercado e considerados seguros”, continuam.

Os efeitos neurais são significativos e incluem uma redução na inibição neural (a capacidade de filtrar informações sem importância), representações corticais menos precisas e uma extensão do tempo que o cérebro demora a processar sinais mutáveis.

Ainda assim, é muito cedo concluir que o ruído branco, essa combinação aleatória de diferentes ruídos, está a ter os mesmos efeitos nos cérebros humanos.

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