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Mordida de formiga “drácula” é cinco mil vezes mais rápida que um piscar de olhos

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Adrian Smith / Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte

A formiga “drácula”, nome popular da Mystrium camillae, é um inseto que vive no Sudeste Asiático e na Oceânia. A sua mordida é a mais rápida do mundo animal, com velocidade de 320 quilómetros por hora.

A potência das mandíbulas da formiga “drácula” é cinco mil vezes mais rápida do que um piscar de olhos humano.

“Esta alta velocidade de aceleração dos ataques que cria as forças de alto impacto é necessária para os seus comportamentos predatórios e defensivos“, escreveu o entomologista Andrew Suarez, professor de biologia animal da Universidade de Illinois, num estudo publicado a 12 de dezembro na revista Royal Society Open Science.

“Mesmo entre formigas que amplificam o alcance das suas mandíbulas, as drácula são únicas: em vez de usar três partes diferentes para a mola, o trinco e o braço da alavanca, todas essas três partes são combinadas na estrutura da mandíbula”, explica Adrian Smith, do Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte e da Universidade Estadual da Carolina do Norte, coautor do estudo. O movimento é semelhante ao de um estalar de dedos.

Segundo os investigadores, as formigas drácula usam o movimento brusco para atacar artrópodes, atordoando-os e esmagando-os. De seguida, levam-no para o ninho, onde servem de alimento para as larvas.

Royal Society Open Science

“Outros cientistas já haviam descrito o mecanismo, mas ninguém sabia a velocidade do movimento”, conta Fredrick Larabee, do Museu Nacional Smithsoniano de História Natural. “Utilizámos câmaras incrivelmente rápidas para captar todo o movimento. Também usámos tecnologia de raio-X para ver a anatomia destas formigas e perceber melhor como o movimento funciona.”

Em seguida, os investigadores criaram modelos de computador para testar como cada elemento da estrutura mandibular do bicho afetava a composição do movimento. “Concluímos que estávamos perante o mais rápido movimento já conhecido feito por um animal”, disse Larabee.

Ao comparar com outras espécies de formigas, os cientistas perceberam que a formiga “drácula” evoluiu de uma maneira diferente, em que pequenas mudanças no formato da mandíbula acabaram por fazer com que pudesse agir como uma mola.

Agora os investigadores querem analisar como estas formigas usam tais propriedades na sua vida quotidiana natural. Ainda não se sabe exatamente como capturam as presas e defendem os ninhos, por exemplo, mas acredita-se que as mandíbulas extremamente ágeis tenham uma papel fundamental.

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