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Há uma parte da Antártida que está a encolher (mas não era suposto)

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Quando os cientistas falam sobre o derretimento da Antártida, geralmente estão a referir-se à Antártida Ocidental, onde gigantescos glaciares costeiros estão a derramar grandes quantidades de água.

Mas, do outro lado das montanhas transantárticas a leste, há um manto de gelo muito maior que, normalmente, aparenta estar a manter o frio. Um novo estudo, no entanto, afirma que a Antártida Oriental também está a perder peso a uma velocidade preocupante.

Um estudo publicado a 14 de janeiro na revista Proceedings of the National Academies of Sciences aponta para um declínio constante na quantidade de gelo que cobre a Antártida Oriental desde que os registos de satélite começaram em 1979.

A investigação constata que a perda de massa da Antártida Oriental ainda está atrasada em relação ao Ocidente – o primeiro perdeu recentemente cerca de 50 mil milhões de toneladas de gelo por ano para os 160 mil milhões deste último.

No total, o estudo estima que o leste da Antártida adicionou 4,4 milímetros ao nível global do mar da Terra desde 1979, comparado com 6,9 milímetros do Ocidente. De forma preocupante, a Antártica Oriental detém 52 dos 57 metros potenciais de elevação do nível do mar trancados no gelo da Antártida.

Observadores o que está a acontecer com o continente congelado saberão que estas são conclusões glaciológicas radicais. De facto, uma análise publicada em junho passado concluiu que, no geral, a Antártida Oriental não perdeu gelo.

O novo estudo concentrou-se num único método: o método componente. Essencialmente, os investigadores subtraíram os dados sobre a quantidade de gelo que flui no oceano a cada ano a partir de dados sobre a quantidade de neve que cai no continente.

Assim, os autores conseguiram desvendar uma tendência de queda para a Antártida Oriental, particularmente dentro do setor da Wilkes Land, que está a perder massa há 40 anos.

Isto sugere que está longe do fim da história para esta parte do mundo. Novos conjuntos de dados devem vir de missões via satélite como o GRACE-Follow On, que usa dados gravitacionais para rastrear a perda de peso da Antártida, e o ICESat-2, que mede a altura de superfícies geladas, deve ajudar os investigadores a refinar ainda mais os resultados.

Mas uma coisa é certa: se a Antártida Oriental está a perder peso, e se essa tendência acelerar, o futuro dos litorais da Terra pode começar a parecer muito mais obscuro.

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