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Detetado aumento sem precedentes na atividade do El Niño nos últimos 30 anos

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(cv)

Uma equipa de cientistas da Universidade de Melbourne e do Centro de Excelências para Extremos climáticos, ambos na Austrália, desenvolveu um método inovador para produzir o primeiro registo sazonal numa janela de 400 anos sobre os eventos climáticos marcados pelo fenómeno El Niño. 

Os fenómenos El Niño são alterações significativas de curta duração – entre 15 a 18 meses – na distribuição da temperatura da superfície da água do Oceano Pacífico, tendo profundos efeitos no clima. O fenómeno gera um efeito em cadeia que influencia o estado do tempo em vários pontos de todo mundo.

De acordo com a nova publicação, que recorreu a núcleos perfurados de corais, existem diferentes variedades deste fenómeno e a sua natureza mudou na últimas décadas. Os resultados do estudo foram esta semana publicados na revista Nature Geoscience.

Compreender o El Niño é, sustentam os cientistas, vital, uma vez que o fenómeno produz climas extremos em todo o mundo, com efeitos catastróficos, como precipitações e temperaturas nefastas na Austrália, sudeste Asiático e nas Américas.

O registo de 400 anos revelou uma clara mudança nos fenómenos do El Niño, evidenciando um aumento na atividade do Pacífico Central no final do século XX. A investigação apontou também mudanças futuras no fortalecimento do fenómeno no Pacífico Oriental.

Para chegar a esta conclusão, a equipa estudou os núcleos de corais que se estendem pelo Oceano Pacífico, formações que contêm isótopos que podem revelar muito sobre o clima do passado, tal como os anéis das árvores. No entanto, este recurso não tinha sido analisado até então para detetar as tipologias do El Niño.

Depois refinar a técnica para reconstruir a assinatura do El Niño no espaço e no tempo, recorrendo a novas técnicas de aprendizagem automática (machine learning), os cientistas conseguiram comparar os resultados recentes observados nos corais com um registo instrumental, traçando uma janela de tempo de 400 anos.

A equipa encontrou uma forte correlação entre os núcleos de coral e os eventos registados, o que lhes permitiu fazer projeções a longo prazo.

Os dados demonstram que houve um aumento sem precedentes no número de eventos climáticos associados ao El Niño nos últimos 30 anos, quando comparados com períodos iguais nos últimos 400 anos.

No Pacífico Oriental, estes fenómenos foram os mais intensos já registados, de acordo com o registo instrumental de 100 anos e o registo de coral de 400 anos. Ao mesmo tempo, o número de El Niños orientais tem sido menor a longo prazo, com cerca de dois eventos a cada 30 anos – mesmo com o ritmo crescente.

Tal como observa a Discover Magazine, o El Niño não é um “evento singular“, tendo antes diferentes “sabores”, isto é, tipos de eventos climáticos.

Os autores esperam que o trabalho sirva de base para futuros estudos sobre o clima. Alguns modelos climáticos sugerem que os “sabores” do El Niño podem estar relacionados com as alterações climáticas, mas, até agora, as observações são ainda limitadas para validar esta relação. São necessários mais estudos para provar a possível relação.

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