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Há um peixe que se adapta a níveis letais de poluição da água

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Noel Burkhead / Wikimedia

Fundulus grandis

O killifish do Golfo (Fundulus grandis) estava condenado à extinção devido à poluição causada pela atividade humana, mas foi capaz de desenvolver a capacidade de permanecer nas águas contaminadas.

Os níveis letais de poluição do seu território colocaram a sobrevivência do killifish do Golfo (Fundulus grandis) sob ameaça. Mas há alguns males que vêm por bem: a população de peixes evoluiu de forma a conseguir permanecer nas águas sujas do Houston Ship Channel, no Texas, graças aos genes que adquiriu do seu parente, o killifish do Atlântico. Uma história feliz de adaptação e hibridação.

O killifish do Golfo mede apenas 18 centímetros, mas é um dos maiores peixes da sua espécie. Este peixe pode ser encontrado em estuários costeiros ao longo do norte do Golfo do México e da costa do Atlântico, onde serve de refeição favorita a trutas ou linguados.

Podemos também encontrá-lo no Houston Ship Channel, nas águas que permanecem altamente poluídas há mais de seis décadas, devido à atividade industrial da região. Neste habitat, o killifish do Golfo serve como uma espécie de intermediário, uma vez que fornece a rota para a poluição entrar na cadeia alimentar humana.

Uma equipa de cientistas da Baylor University, no Texas, quis descobrir como é que esta espécie se adapta à mudança ambiental rápida e extrema que se tem verificado ao longo do tempo.

Para isso, os cientistas examinaram o killifish do Golfo de 12 locais diferentes do Houston Ship Channel e de Galveston Bay (outro estuário também localizado no Texas), e cultivaram a mesma espécie nas instalações de aquicultura da universidade para testarem a sua resistência e tolerância à poluição.

Para isso, explica o IFL Science, os embriões de cada população foram expostos a poluentes-modelo que imitam os produtos químicos encontrados no Houston Ship Channel.

A equipa descobriu que os espécimes recolhidos dos estuários apresentavam os níveis mais altos de resistência à poluição e, ao sequenciar os genomas, descobriram que aqueles que melhor se adaptavam a este ambiente poluído apresentavam uma grande quantidade de variedade genética.

Elias Oziolor, um dos autores do estudo, esclareceu em comunicado que os “imensos tamanhos populacionais de killifish do Golfo permitem que esta espécie retenha a grande quantidade de variação genética. Mas “sob a pressão radical da poluição, a solução final não foi a sua própria variação genética, mas a variação que tiveram a sorte de capturar das suas espécies irmãs, o killifish do Atlântico, através da hibridação.”

Contudo, apesar de ser animador ver que a adaptação a ambientes em mudança ocorre a uma velocidade tão rápida, os cientistas alertam para o facto de esta não ser uma solução que resolve o imenso problema da degradação ambiental causada pelo Homem. O artigo científico foi recentemente publicado na Science.

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