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“Mão em garra” pode ter impedido Da Vinci de terminar a Mona Lisa

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Musée du Louvre / Wikimedia

Mona Lisa (p.), por Leonardo Da Vinci

O artista, inventor e engenheiro Leonardo da Vinci, que morreu há 500 anos, pode ter sofrido uma paralisia na mão após um acidente, o que o teria impedido de concluir algumas das suas obras, como Mona Lisa, e de pintar anos mais tarde.

A alegação foi feita pelos médicos italianos, Davide Lazzeri e Carlo Rossi, que analisaram a representação da mão direita de Da Vinci em duas obras de arte. Pelas imagens, eles diagnosticaram paralisia ulnar, ou “mão em garra“, e sugeriram que o estado da mão do artista pode ter sido causado por um desmaio.

A revelação foi publicada, este sábado, na revista académica da Real Sociedade de Medicina Britânica.

“Isso pode explicar porque é que ele deixou inúmeras pinturas incompletas, incluindo a Mona Lisa, durante os últimos cinco anos da sua carreira como pintor, enquanto continuou a ensinar e a desenhar”, afirma Davide Lazzeri, autor do estudo e especialista em cirurgia plástica reconstrutiva em Roma.

No estudo, foram analisadas duas obras de arte que mostravam Leonardo da Vinci nos últimos anos de vida. Uma delas é um retrato de Da Vinci, desenhado com giz vermelho, atribuído ao artista lombardo Giovanni Ambrogio Figino, do século XVI.

De maneira pouco normal, o desenho mostra o braço direito de Da Vinci em grande parte escondido pelas dobras da roupa. A mão é visível, mas numa “posição rígida e contraída“. Antes deste novo estudo, tinha sido anteriormente sugerido que a mão de Da Vinci se tinha deteriorado devido a um derrame cerebral.

Museu e Galeria dell’Accademia de Veneza

Retrato de Leonardo da Vinci, desenhado por Giovanni Ambrogio Figino

Porém, segundo o médico Davide Lazzeri, não há relatos de que Da Vinci tenha apresentado qualquer declínio cognitivo ou outro comprometimento motor, que poderiam decorrer de um derrame.

“Não há informação sobre uma eventual paralisia facial que frequentemente ocorre após um acidente vascular”, realçam os autores do texto.

“Em vez de retratar a típica mão cerrada vista pós-AVC, o quadro de Figino sugere um diagnóstico alternativo, como paralisia ulnar, comummente conhecida como ‘mão em garra’”, acrescentou Lazzeri.

O nervo ulnar vai do ombro até ao dedo mindinho e controla quase todos os músculos intrínsecos da mão que permitem movimentos motores subtis, de modo que uma queda poderia ter causado um trauma no braço do artista, levando à paralisia ou ao enfraquecimento do nervo.

Os investigadores também analisaram uma gravura de um homem a tocar uma lira da braccio, – um instrumento de cordas da Renascimento -, recentemente identificado como Leonardo Da Vinci.

Além disso, foi obtida uma evidência adicional no diário de Antonio de Beatis, assistente do cardeal italiano Luigi d’Aragona, que visitou a casa de Da Vinci em 1517.

Beatis anotou que já não se poderia esperar “bom trabalho dele, uma vez que uma certa paralisia limitou a sua mão direita“. Entretanto, continuou de Beatis, apesar de não poder pintar “com a doçura que lhe era peculiar, ainda pode desenhar e ensinar outras pessoas”.

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