Início Ciência O escorpião vence o cancro. Veneno ajuda cirurgiões a detetar doença

O escorpião vence o cancro. Veneno ajuda cirurgiões a detetar doença

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fabiomaffei1 / Flickr

Escorpião da espécie Tityus serrulatus

Um grupo de cientistas descobriu que no veneno do escorpião-amarelo existe uma toxina que pode abrir um novo caminho para o tratamento do cancro.

Uma nova técnica de imagem pensada para ajudar os cirurgiões a identificar a localização de tumores cerebrais malignos durante a cirurgia está a demonstrar resultados promissores em ensaios clínicos precoces.

Segundo o New Atlas, a técnica combina uma nova câmara infravermelha de alta sensibilidade com um agente de imagem especial sintetizado a partir de um aminoácido encontrado no veneno do escorpião.

Tratar gliomas, um tipo letal de tumor cerebral, pode ser incrivelmente difícil, uma vez que estes tumores não respondem bem à quimioterapia tradicional nem à radioterapia e tendem a espalhar-se por um amplo espectro de tecido cerebral, dificultando o trabalho dos cirurgiões de detetar e remover todo o tecido cancerígeno.

A mais recente técnica baseia-se no composto “tozuleristide” – BLZ-100, uma versão sintética otimizada de um peptídeo encontrado no veneno do animal. Este composto liga-se naturalmente às células do cancro cerebral e, com a adição de um corante fluorescente, as células tumorais tornam-se facilmente distinguíveis do tecido normal sob luz infravermelha.

“Com esta fluorescência, conseguimos ver o tumor muito mais facilmente porque se acende como se fosse uma árvore de Natal”, descreve Adam Mamelak, autor do estudo publicado na Neurosergery no dia 9 deste mês.

Na fase inicial, esta técnica mostrou-se segura, não tóxica e eficaz. Dezassete pacientes passaram pelos testes e o composto mostrou não gerar efeitos colaterais adversos, enquanto iluminava a maioria dos tumores.

Além do novo agente, o ensaio clínico estava também a testar um sistema de câmara experimental que pode capturar simultaneamente imagens de infravermelho próximo e de luz branca. Anteriormente, para obter este tipo de imagem dupla num ambiente cirúrgico, eram necessárias várias câmaras, todas elas volumosas.

Esta nova tecnologia permite assim alternar em tempo real as duas visualizações de imagens, ajudando os cirurgiões a concentrarem-se nos tumores cerebrais e a removerem todo o tecido cancerígeno. “Para um cirurgião, esta inovação é muito atraente“, acrescenta Mamelak.

Atualmente, a técnica está a passar por ensaios clínicos mais amplos antes de uma possível aprovação da Food and Drug Administration (FDA).

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