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Envelhecer é o maior fator de risco para cancro (em que não há nada que possamos fazer)

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hapal / Flickr

O envelhecimento provoca em nós mudanças a nível estrutural e funcional que não podemos evitar. Essas mudanças são o maior fator de risco para o desenvolvimento de cancro.

Enquanto há fatores e comportamentos que podem agravar o desenvolvimento de vários tipos de cancro, que são de certa forma evitáveis, há um fator que nada podemos fazer para o travar. Cientistas da Miami Miller School of Medicine publicaram, no mês passado, um estudo que associa o envelhecimento celular a uma maior risco de cancro.

A estatística é assustadora. De acordo com os dados do Surveillance Epidemiology and End Results do Instituto Nacional da Cancro dos Estados Unidos, 43% dos homens e 38% das mulheres vão desenvolver cancro ao longo da sua vida. A mortalidade está fixada em 23% e 19%, respetivamente.

Pior é ainda saber que pouco podemos fazer para evitar isso, sendo que o estudo sugere que as alterações a nível celular à medida que uma pessoa envelhece podem contribuir para a leucemia mielóide aguda (LMA) e outros tipos de cancro no sangue, como o explica o Tech Explorist.

“Se pensarmos em todo o material genético como hardware, o epigenoma é o software da célula, responsável por determinar o comportamento da célula. A nossa teoria era que, com a idade, esse programa epigenético se ia corrompendo, o que acabou por se verificar”, explicou Maria Figueroa, uma das autoras do estudo.

“Há um conjunto básico de mudanças que se verificaram em todos os indivíduos”, realçou Figueroa. O envelhecimento resulta na reprogramação epigenética de importantes componentes regulatórios do genoma, limitando o seu desempenho.

Para efeitos científicos, os cientistas recolheram células estaminais de 41 pessoas entre os 18 e os 30 anos, e 55 pessoas entre os 65 e 75 anos — sendo que nenhuma delas tinha cancro.

Muitas dessas alterações detetadas com o envelhecimento celular eram semelhantes às observadas nas células cancerígenas, demonstrou o estudo. Contudo, não quer obrigatoriamente dizer que estas células se tornem cancerígenas.

Nem todos que envelhecem ficam com cancro, nem todos que têm estas mudanças ou mutações genéticas desenvolvem cancro. Esperamos que este estudo leve a mais investigações sobre mudanças relacionadas com a idade para identificar quais dessas mudanças e quais fatores coexistentes são realmente críticos para nos colocar em risco de cancro”, alertou Figueroa.

Além disso, a cientista espera que esses novos estudos possam permitir perceber se é possível intervir para alterar esses fatores de risco para o desenvolvimento de uma das doenças que mais mata no mundo.

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