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Os pássaros preferem viver entre os ricos

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Uma nova investigação sobre as aves das cidades sul-africanas descobriu que os pássaros preferem viver em bairros mais ricos em detrimento dos mais pobres. Contudo, se houver muito cimento e asfalto, movimentam-se para outras áreas. 

A investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista Global Change Biology, foi conduzida por uma equipa de cientistas da Universidade de Turim, na Itália, e das Universidade da Cidade do Cabo (UCT) e Witwatersrand, na África do Sul.

“Este trabalho é especialmente importante porque é um dos poucos estudos realizados num país em desenvolvimento e o único do género em África, onde se espera uma maior urbanização (…) [Esta] ocorre a uma velocidade muito mais rápida do que em qualquer outra região do planeta”, explicou o co-autor do estudo, Arjun Amar, da UCT.

Os cientistas estudaram a presença de espécies de aves em 22 áreas urbanas da África do Sul e descobriram que o número de espécies aumentou de acordo com os níveis de renda dos moradores. Ou seja: quanto mais ricos eram os bairros, mais espécies de aves foram encontradas na área, partindo do princípio que os animais em causa lá viviam.

No entanto, frisaram os cientistas, o fenómeno não se verificou em áreas altamente urbanizadas, onde o asfalto e o cimento dominam e a vegetação desapareceu.

Trata-se do “efeito luxo”, que é bem conhecido nos países desenvolvidos, mas que também se aplica nas áreas urbanas de densidade relativamente baixa na África do Sul: as áreas ricas têm uma diversidade maior de espécies de aves do que as áreas menos afluentes.

Os cientistas acreditam que este efeito é fruto do maior investimento em jardins, parques e outros espaços verdes que são pontos importantes nas urbanizações mais ricas.

De acordo com os cientistas, esta é a primeira vez que o “efeito luxo” nas aves é documentado em países africanos. A equipa acredita que a descoberta podem ajudar a moldar o planeamento urbano no futuro, tendo em conta a biodiversidade e a justiça ambiental num mundo onde o processo de urbanização está num ritmo acelerado.

“Este estudo mostra que os subúrbios ricos e arborizados têm mais espécies de aves e, provavelmente, maior biodiversidade em geral, do que as áreas pobres da cidade ou as áreas que têm muito asfalto e cimento. Os fatores que impulsionam o “efeito luxo” vão ajudar a projetar cidades mais amigas da biodiversidade no futuro”, completou o autor principal do estudo, Dan Chamberlain, da Universidade de Turim.

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