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Cientistas descobriram a maior proliferação de algas alguma vez registada

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Cientistas mediram aquela que dizem ser a maior proliferação de algas alguma vez registada, que se estende por 8.850 quilómetros no Oceano Atlântico e é formada por cerca de 20 milhões de toneladas da Sargassum algae.

De acordo com o Science Alert, o “Great Atlantic Sargassum Belt”, como está a ser chamado, está a expandir-se devido aos nutrientes descarregados do rio Amazonas de um lado e da costa oeste africana do outro.

Ao utilizar dados de satélite da NASA e como amostras recolhidas no terreno, os investigadores identificaram o momento crítico, que aconteceu em 2011. Desde então, houve grandes proliferações quase todos os anos, e não há sinais de essa tendência mudar nos próximos tempos – a última vaga aconteceu entre África Ocidental e o Golfo do México.

Os cientistas relacionam esta mudança com o aumento da desflorestação e uso de fertilizantes no Brasil e em toda a Amazónia, a partir do início da década, embora a associação ainda não seja totalmente clara.

“A evidência para o enriquecimento de nutrientes é preliminar e baseada em dados de campo limitados e outros dados ambientais. Precisamos de mais investigação para confirmar esta hipótese”, diz o oceanógrafo Chuanmin Hu, da Universidade do Sul da Flórida, nos EUA, e líder do estudo publicado este mês na revista Science.

“Por outro lado, com base nos dados dos últimos 20 anos, posso afirmar que este fenómeno pode vir a ser considerado o ‘novo normal’. A química do oceano deve ter mudado para que este florescimento fique tão fora de controlo. Provavelmente estão aqui para ficar”, acrescenta.

Wang et al., Science., 2019

A proliferação de sargaço entre julho de 2011 e julho de 2018

Esta proliferação de algas não é necessariamente má para os oceanos: o sargaço não só fornece habitats para tartarugas, caranguejos, peixes e pássaros, como também produz oxigénio para a vida marinha.

No entanto, a maioria destas algas pode causar problemas, como restringir o movimento e respiração de certas espécies marinhas, especialmente em torno das regiões costeiras. Depois de morrer, o sargaço pode asfixiar os corais e ervas marinhas se estiver em grandes quantidades na água.

O sargaço na praia também produz um cheiro semelhante a ovos podres, graças ao sulfureto de hidrogénio que liberta, dando aos locais e turistas uma experiência desagradável, mas também potenciais impactos na saúde (um exemplo são os asmáticos).

A dimensão destas proliferações atinge o pico entre abril e julho, antes de se dissipar lentamente, mas algumas sementes que sobram no inverno passam a contribuir para maiores áreas de sargaço no verão seguinte.

São muitos os fatores que contribuem para o crescimento do sargaço, incluindo a salinidade e a temperatura da água, e os cientistas ainda não têm leituras diretas dos níveis de nutrientes para todos os anos abrangidos pelo estudo – em alguns casos, foram estimados com base noutros sinais.

Mas, agora que sabem a sua extensão, os investigadores querem perceber melhor as suas causas e possíveis consequências – na precipitação, nas correntes oceânicas, na atividade humana e noutros aspetos.

“Esperamos que este estudo nos dê uma base para melhorar a compreensão e a resposta a este fenómeno emergente. Precisamos de muito mais trabalho para o conseguir acompanhar”, conclui Hu.

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