Início Ciência Nanopartículas de ouro são a esperança dos novos medicamentos contra o cancro

Nanopartículas de ouro são a esperança dos novos medicamentos contra o cancro

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(dr) UNIGE

Linfócitos B (azul e verde) e nanopartículas de ouro (vermelho)

As nanopartículas de ouro podem ser pequenas o suficiente para atravessar a barreira hematoencefálica, o que permite que os fármacos antitumorais sejam entregues diretamente às células cancerígenas.

A tecnologia está a revolucionar muitas tecnologias e setores industriais, nomeadamente a medicina. No entanto, especialmente nesta área, é preciso ter e conta a segurança e o efeito que estas tecnologias têm sobre o sistema imunológico humano.

Ao testar uma variedade de nanopartículas de ouro, cientistas da Universidade de Genebra (UNIGE), em colaboração com o Centro Nacional de Competência em Pesquisa “Bio-inspired Materials” e Swansea University Medical School, no Reino Unido forneceram a primeira evidência do impacto das nanopartículas sobre os linfócitos B – as células imunitárias responsáveis pela produção de anticorpos.

Os investigadores esperam que o uso nanopartículas de ouro melhore a eficácia dos produtos farmacêuticos, limitando os possíveis efeitos secundários. Os resultados, publicados recentemente na ACS Nano, levarão ao desenvolvimento de novas terapias, especialmente no campo da oncologia.

Os linfócitos B são uma parte crucial do sistema imunológico e, portanto, um alvo interessante para o desenvolvimento de vacinas preventivas e terapêuticas. No entanto, para atingir o seu objetivo, as vacinas devem atingir rapidamente os linfócitos B sem serem destruídos, o que torna o uso de nanopartículas particularmente interessante.

Na prática, as nanopartículas podem formar um veículo de proteção para vacinas, ao administrá-las onde podem ser mais eficazes, sem afetar outras células. Este objetivo também permite o uso de uma dose menor de imunoestimulantes, mantendo uma resposta imulonológica eficaz.

Sempre que as nanopartículas são inofensivas para todas as células do sistema imunológico, aumentam a eficácia e reduzem os efeitos colaterais, explica Carole Bourquin, co-autora do artigo científico, citada pelo Tech Explorist.

Em relação ao ouro, os cientistas dizem que é “um excelente candidato” para a nanomedicina, devido às suas propriedades físico-químicas particulares. Bem tolerado pelo corpo e facilmente maleável, este metal tem, por exemplo, a peculiaridade de absorver luz e depois libertar calor, uma propriedade que pode ser explorada em oncologia.

“As nanopartículas de ouro podem ser usadas para tratar tumores. Quando expostas a uma fonte de luz, elas libertam calor e destroem as células cancerígenas próximas. Além disso, podemos anexar um medicamento à superfície das nanopartículas para ser libertado num local específico”, adiantou a cientista.

Sandra Hocevar, outra autora do estudo, referiu que, para testar a segurança e a melhor fórmula para uso médico destas nanopartículas de ouro, os cientistas criaram esferas dourados, com e sem revestimento de polímero, assim como hastes de ouro para explorar os efeitos do revestimento e da forma. Depois, expuseram linfócitos B humanos às partículas durante 24 horas, de modo a analisar a ativação da resposta imune.

Seguindo os marcadores de ativação expressos na superfície das células B, os cientistas foram capazes de determinar até que ponto as nanopartículas ativaram ou inibiram a resposta imune. Embora nenhuma das nanopartículas testadas tenha demonstrado efeitos adversos, a sua influência na resposta imune diferiu dependendo de sua forma e da presença de um revestimento.

As partículas esféricas não revestidas são facilmente adicionadas e, portanto, não são adequadas para uso biomédico. Por outro lado, as esferas de ouro revestidas com um polímero protetor são estáveis e não afetam a função dos linfócitos B. “Podemos facilmente colocar a vacina ou a medicação que será administrada aos linfócitos B nesta camada”, diz Bourquin.

As nanopartículas de ouro desenvolvidas pela equipa poderiam possibilitar a administração direta de fármacos aos linfócitos B para reduzir a dose necessária e possíveis efeitos colaterais. Atualmente, já estão em curso estudos em pacientes para o tratamento de tumores cerebrais.

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