Início Ciência Desastres naturais obedecem a um padrão matemático

Desastres naturais obedecem a um padrão matemático

Roberto Salomone / EPA

Foi realizada a análise estatística mais precisa até hoje de um conjunto de fenómenos naturais que podem causar desastres. A análise revelou que estas catástrofes obedecem aos mesmos padrões matemáticos.

Uma equipa de investigadores do Departamento de Matemática da Universidade Autónoma de Barcelona, em Espanha, analisaram os registos de milhares de terramotos, furacões, incêndios florestais, impactos de meteoritos na atmosfera, chuvas torrenciais e subsidência do solo devido a fenómenos cársticos – em que a água subterrânea dissolve o solo.

Os cientistas conseguiram descrever com a mesma técnica matemática as funções que relacionam a frequência destes fenómenos com o valor da sua magnitude ou tamanho.

Segundo a Europa Press, a grande maioria deles segue a chamada lei da potência, segundo a qual os eventos são mais abundantes quanto menores forem, sem qualquer definição de tamanho “normal” ou típico.

No entanto, a frequência de fenómenos como incêndios florestais segue outra distribuição matemática – distribuição lognormal – independentemente de serem pequenos episódios ou incêndios devastadores, que queimam centenas de milhares de hectares.

Esta investigação tornou possível especificar de que forma estas funções são ajustadas em cada caso, e se são válidas ou não para casos limítrofes – por exemplo, eventos de magnitude extremamente grande. “Graças a este estudo, as estimativas de risco de eventos catastróficos em diferentes áreas do mundo podem ser melhoradas, de acordo com o registo histórico de cada região”, explicou o cientista Álvaro Corral.

Os cientistas ficaram surpreendidos com o facto de fenómenos naturais tão diversos obedecerem à distribuição da lei da potência. “Há suspeitas de que isso acontece sempre que um determinado fenómeno ocorre após um comportamento ‘em avalanche, libertando rapidamente energia que se acumulou ao longo do tempo, mas ainda há muito por investigar”, adiantou o especialista.

Os incêndios florestais, por exemplo, seriam uma exceção à regra, uma vez que também podem ser descritos como “avalanches” de libertação súbita de energia que se acumularam na forma de biomassa.

“Não sabemos porque é que alguns fenómenos ‘em avalanche‘ seguem a distribuição lognormal e, na verdade, esta descoberta contradiz pesquisas anteriores. São necessários modelos físicos mais avançados para explicar as magnitudes que atingem esses processos”, disseram os autores do estudo, publicado recentemente na Earth and Space Science.

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