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Peregrinação a Meca pode tornar-se perigosa para os fiéis devido às alterações climáticas

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Os quase dois milhões de peregrinos muçulmanos que viajam anualmente para Meca, na Arábia Saudita, correm o risco de enfrentar temperaturas e níveis de humidade “extremos”, que podem mesmo vir a ser letais, revelou um estudo.

A conclusão é uma uma equipa de cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que associa as elevadas temperaturas e a humidade às alterações climáticas. Os resultados da nova investigação foram esta semana publicados na revista científica especializada Geophysical Review Letters.

Cada muçulmano deve ir à grande peregrinação a Meca, conhecida como hach, pelo menos uma vez na vida, de acordo com a tradição religiosa. As datas do evento mudam a cada ano, uma vez que são definidas segundo um calendário lunar. Contudo, durante cinco a sete anos consecutivos, a peregrinação ocorreu durante o verão, observa a Russia Today.

Durante os dias de verão, prevê a publicação, Meca pode atingir temperaturas que excedem o limite do “calor extremo”. Tal como nota o estudo, este nível é alcançado quando o búlbido húmido – medida de temperatura que reflete as propriedades físicas de um sistema constituído pela evaporação da água no ar – atinge os 29,1 graus Celsius.

O búlbido húmido, além de refletir a capacidade de evaporação da humidade, é também o mecanismo utilizado pelo corpo humano para se arrefecer com a evaporação do suor.

A exposição prolongada a estas condições, isto é, quando o corpo não consegue arrefecer, pode causar insolação e até mesmo a morte. Em Meca, escreve o jornal britânico The Independent, alguns fiéis passam entre 20 a 30 horas ao ar livre na peregrinação.

As estimativas dos cientistas apontam que os níveis de calor e humidade durante o hach vão exceder o limite de calor extremo em 6% em 2020, 20% entre 2045 e 2053, e 42% entre 2079 e 2086.  Com a mudanças climáticas, as condições podem ser “desfavoráveis” para atividades ao ar livre, como a peregrinação grande peregrinação a Meca durante o, explicou a cientista e co-autora do estudo Elfatih Eltahir.

Os autores frisam, contudo, que não pretendem espalhar o medo entre os peregrinos, mas antes ajudá-los a adaptar-se para que a peregrinação seja segura.

“Estes resultados não pretendem espalhar nenhum medo, mas têm como objetivo informar as políticas de mudança climática em relação à mitigação e adaptação”, disse Eltahir.

O mesmo diário britânico recorda que já acontecerem mortes de fiéis durante o evento: em 1990, morreram mais de 1400 pessoas e em 2015 769 pessoas morreram e mais de 900 ficaram feridas – ambos os anos coincidiram com picos de temperatura na região.

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