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Estudo controverso associa partos por cesariana a autismo

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Um estudo recente associa os partos por cesariana ao autismo, realçando uma relação entre os dois. No entanto, muitos cientistas têm criticado a investigação.

O estudo publicado esta quarta-feira na revista JAMA Network Open sugere que crianças que tenham um parto por cesariana têm uma probabilidade 33% maior de virem a desenvolver autismo. Esta associação proposta pela investigação tem deixado vários cientistas de pé atrás, que não tardaram a tecer duras críticas.

Para os especialistas, este é um exemplo da falácia lógica cum hoc ergo propter hoc, do latim, que significa “com isto, logo por causa disto”. Isto significa que a correlação não implica causalidade, ou seja, a associação entre dois eventos, não implica necessariamente que um dos eventos tenha causado a ocorrência do outro.

Esta investigação baseou-se em dados estatísticos de 61 estudos, que cobriam o nascimento de mais de 20 milhões de bebés. De acordo com o New Atlas, a derradeira conclusão do estudo foi que “o parto por cesariana foi significativamente associado ao transtorno do espectro do autismo e ao déficit de atenção/hiperatividade (TDAH)“.

Nesta última síndrome, a equipa de cientistas definiu uma probabilidade 17% maior caso o bebé nascesse por cesariana.

Estudos anteriores já propunham que uma cesariana de emergência poderia estar associada ao autismo, mas, para desmistificar esta ideia, os cientistas separaram os partos de cesariana por emergência dos restantes e, mesmo assim, a correlação manteve-se.

Apesar de 33% parecer ser um risco agravado, o investigador Andrew Whitehouse — que não participou no estudo — realçou que a diferença acaba por não ser significativa. “Quando a prevalência destas condições já é relativamente baixa (cerca de 1% para o autismo e 7% para o TDAH), este aumento nas probabilidades não é substancial“, explicou.

Feitas as contas, a confirmar-se as arrojadas conclusões do estudo dos cientistas da universidade sueca, significaria que alguém que nasce por cesariana teria uma prevalência de 1,33%, em vez de 1%.

“Está bem estabelecido que o parto prematuro está fortemente associado ao atraso no desenvolvimento e ao autismo”, disse Peter Baghurst, professor da Universidade de Adelaide, em declarações ao Scimex. O especialista critica os autores do estudo por não terem considerado o tempo de gestação do feto.

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