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As fezes dos pinguins soltam gás hilariante. Estão a “enlouquecer” cientistas e a estragar o ambiente

As fezes dos pinguins soltam óxido nitroso – também chamado “gás hilariante” – que enlouquece os cientistas que os estudam e causa estragos no meio ambiente.

Um novo estudo conduzido por investigadores dinamarqueses revelou que as fezes produzidos pelas espécies de pinguins-rei na Antártida emitem tanto óxido nitroso (N2O) que afeta o estado mental dos investigadores que passam muito tempo com eles.

De acordo com o ScienceAlert, o N2O é um composto químico incolor e inodoro que normalmente chamado de “gás hilariante” devido aos efeitos colaterais eufóricos que causa nos seres humanos.

Este composto químico foi usado pela primeira vez para inventar anestesia cirúrgica ou odontológica em meados da década de 1880 e continua a ser usado para fins sedativos por profissionais médicos.

O novo estudo, publicado em maio na revista científica Science of The Total Environment, constatou que as fezes dos pinguins-rei contêm quantidades abundantes desse composto. “O pinguim-guano produz níveis significativamente altos de óxido nitroso em torno das suas colónias”, disse Bo Elberling, do Departamento de Geociências e Gestão de Recursos Naturais da Universidade de Copenhaga e co-autor do estudo.

Investigadores enviados à Antártida para estudar os pinguins-rei no seu habitat natural na ilha da Geórgia do Sul observam os animais durante horas.

“Depois de bisbilhotar em guano durante várias horas, uma pessoa fica completamente afetada. A pessoa começa a sentir-se doente e com dor de cabeça”, explicou Elberling.

Os altos níveis do produto químico libertado das fezes do pinguim são causados pela sua dieta rica em krill e peixe. Ambos contêm altos níveis de nitrogénio. Quando o nitrogénio é libertado das fezes, penetra no solo e nas bactérias do solo. Lá, o nitrogénio é convertido em óxido nitroso.

O óxido nitroso também tem um enorme efeito no ambiente: é 300 vezes mais potente em poluir o ar do que o dióxido de carbono.

Poucas estudos anteriores ligaram os efeitos do derretimento dos glaciares com o surgimento de novos territórios terrestres fertilizados pelas fezes da vida selvagem. No entanto, é possível que animais como pinguins contribuam para o aumento de gases de efeito estufa.

O novo estudo focou as consequências do derretimento do Ártico nos fluxos de gases de efeito estufa em relação à fertilização de novos territórios do solo abertos pelos glaciares em retirada.

Os investigadores concentraram-se na produção de três compostos diferentes: dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, e examinaram-nos em conexão com a colónia de pinguins-rei na baía de St. Andrews.

O consumo de metano nas áreas da colónia diminuiu enquanto a produção de dióxido de carbono e óxido nitroso aumentou. Os níveis de óxido nitroso também foram baixos perto do glaciar, longe dos pinguins, sugerindo uma forte correlação entre a atividade da colónia e os níveis de emissão de óxido nitroso.

Os resultados indicam que, se a colónia continuar a expandir-se para novos territórios sem gelo causados ​​pelo derretimento dos glacires, os níves de gases de efeito estudo poderá aumentar ainda mais.

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