Uma equipa de cientistas chineses descobriu uma nova variante do vírus da gripe suína. Embora garantam que, para já, não há razão para alarme, os investigadores salientam que o vírus G4 EA H1N1 tem um “potencial pandémico”.

Um estudo com os resultados da investigação foi publicado esta segunda-feira na revista científica PNAS.

O G4 EA H1N1 é semelhante ao vírus da gripe suína, que causou uma pandemia em 2009, e já infetou um em cada 10 trabalhadores de gado suíno da China, escreve o Observador. Os cientistas chineses alertam que o vírus já tem a capacidade para infetar humanos.

“Não há qualquer evidência que o G4 esteja a circular em humanos, mesmo após cinco anos de exposição extensiva ao vírus. Este é o contexto chave que é preciso ter em mente”, disse Carl Bergstrom, biólogo da Universidade de Washington, ao The Guardian.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já está a par da descoberta e realça que isto serve para mostrar que “não podemos baixar a guarda, precisamos de continuar a vigilância, mesmo durante a pandemia de coronavírus”.

“Neste momento, estamos distraídos com o coronavírus e com razão. Mas não devemos perder de vista novos vírus potencialmente perigosos”, disse, por sua vez, o coautor do estudo Kin-Chow Chang, em declarações à BBC.

Também o professor James Wood, chefe do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade de Cambridge, disse que este estudo “surge como um lembrete” de que estamos constantemente em risco de um novo aparecimento de patógenos e que animais de criação podem atuar como fonte de importantes vírus pandémicos.

Neste mais recente estudo, os investigadores concluíram que o vírus G4 EA H1N1 é altamente infecioso, de fácil crescimento e replicação nas células humanas e causa sintomas mais sérios do que outros vírus. A vacina para a gripe também não mostrou ser suficiente para conferir imunidade às pessoas.

Telmo Pina Nunes, epidemiologista na Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa, diz que devemos estar atentos embora não haja motivos para entrar em pânico. “Não implica ter uma resposta imediata, mas implica preparar essa resposta de forma eficaz”, disse o especialista ao jornal Público.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

sixteen + two =

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.