Karolina Grabowska / Canva

Uma equipa de cientistas acaba de explicar porque é que a roupa que seca ao ar livre cheira melhor – é tudo uma questão de química.

A nova investigação, levada a cabo com toalhas e cujos resultados foram publicados na revista científica Environmental Chemistry, mostrou que quado estas peças secam ao ar livre produzem uma variedade de aldeídos e cetonas, compostos orgânicos químicos que o olfato humano associa a aromas de plantas e os perfumes.

Segundos os cientistas, são estes compostos que tornam a roupa seca ao ar livre mais agradável ao olfato comparativamente com as peças que secam em espaços fechados.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas lavaram várias toalhas à mão em água completamente limpa, sem partículas, micro-organismos ou sais.

Em seguida, estas foram penduradas em três espaços diferentes: num quarto escuro, numa varanda exposta ao sol e numa varanda sombreada.

“As toalhas secas ao sol tinham claramente as maiores concentrações de compostos oxidados (fragrâncias). Noutras palavras, o sol catalisou processos foto-químicos que criaram as fragrâncias que encontramos”, explicou o co-autor do estudo, Malte Frydenlund, da Universidade de Copenhaga, Dinamarca, citado pelo portal Futurity.

Por exemplo, as toalhas secas ao ar livre emitiram pentanal (um composto encontrado no cardamomo), octanal (que emite aromas cítricos) e nonanal (que tem odor a rosas).

Os cientistas elencaram as substâncias mais distintas encontradas nas tolhas secas ao ar livre e quais os aromas a que estão associadas. Eis a lista:

  • Metilfurano = Chocolate
  • 2-Butilfurano = Frutado, doce
  • 3-Metilbutanal = Frutado, torrado
  • Ácido nonanóico = cera
  • Heptanal = Frutado, verde, herbáceo
  • Octanal = tipo aldeído, verde
  • 2-Heptanona = Frutado, de noz
  • Nonanal = Fresco, floral, cítrico
  • Pentanal = Frutado
  • Etil vinil cetona = Amargo, apimentado
  • 2-metil-1-propanol = éter, vinho
  • 2-Hexenal = Doce, amêndoa, frutado, verde, folhas
  • Metacroleína = Floral

“As pessoas riram-se e acharam um pouco estranho andarmos com toalhas molhadas”, confessou Frydenlund, sublinhando que a comunidade científica sabe pouco sobre o que é que acontece quando superfícies molhadas reagem à luz solar e ao ar.

Apesar de a investigação ter servido essencialmente para identificar os aromas envolvidos no processo, a equipa deixa algumas ideias sobre como é que os aromas surgem.

“Quando o ozono no ar reage com os materiais de uma toalha molhada, formam-se aldeídos e cetonas – que correspondem às fragrâncias identificadas no estudo. Isto pode ser parte da explicação (…) Mas também acreditamos que há algo diretamente atribuível à luz solar. Por exemplo, pigmentos ou corantes nas toalhas, encontrados mesmo quando as toalhas não são tratadas, absorvem a luz do sol e levam a transformações químicas”.

“Este mecanismo pode ocorrer em praticamente qualquer superfície exposta e é importante para a degradação de substâncias no meio ambiente (…) Por este mesmo motivo, é extremamente importante para obter uma visão deste processos. Felizmente, este estudo marca um passo nesta direção”, rematou o cientista.


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