A produção de óleo de coco ameaça cinco vezes mais espécies do que a produção do óleo de palma. No entanto, apenas um deles tem uma má reputação.

As prateleiras dos supermercados estão carregadas com água de coco, óleo e creme de coco, barras de coco e chocolate. Tal como o óleo de palma, o coco parece ser usado em quase tudo, desde condicionadores de cabelo a repelentes de mosquitos. Então, por que uma é amada e a outra odiada?

O óleo de palma é frequentemente associado a orangotangos e outras espécies tropicais, sendo que o papel das plantações na destruição do habitat da floresta é bem conhecido.

O coco, por outro lado, parece ter uma reputação mais simpática, com 53% dos consumidores num questionário a citarem os benefícios para a saúde do óleo de coco, mas poucos a identificarem o seu impacto ambiental, revela o professor de Conservação na Universidade de Kent, Erik Meijaard.

As últimas estimativas indicam que existem 20 milhões de hectares de palmeiras plantadas no mundo e 12,5 milhões de hectares de coqueiros. Mas os coqueiros são cultivados principalmente em ilhas tropicais, muitas das quais possuem um número notável de espécies que não são encontradas em nenhum outro lugar da Terra. Portanto, apesar da sua reputação benigna, o coco tem um impacto negativo surpreendentemente grande na biodiversidade tropical.

Meijaard et al. / Current Biology

Número de espécies ameaçadas pelas produções de óleos por milhão de toneladas de óleo produzido.

Por volume de óleo produzido, a produção de coco afeta mais espécies do que qualquer outra cultura, incluindo o óleo de palma. Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o coco ameaça cerca de 20,2 espécies por milhão de toneladas de óleo produzido, seguido do azeite com 4,1 espécies, óleo de palma com 3,8 e soja com 1,3.

O cultivo de coco contribuiu diretamente para a extinção de algumas espécies, ao contrário do óleo de palma, acreditam os cientistas. Estas espécies incluem um pássaro chamado Zosterops semiflavus, da ilha de Marianne, nas Seicheles, e a raposa-voadora das Ilhas Salomão, Pteropus howensis. Não foram vistos desde 1945, mas já foram encontrados em ilhas que foram convertidas principalmente em plantações de coco.

Como a produção de qualquer mercadoria, o coco pode ser cultivado de maneira a minimizar os impactos ambientais e maximizar os benefícios sociais para a população local, bem como a saúde daqueles que o consomem.

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