Clara Amit / Israeli Antiquities Authority

Yosef Garfinkel, chefe do Instituto de Arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém, garante ter encontrado a “cara de Deus” ao examinar artefactos com 3 mil anos. Outros arqueólogos consideram a alegação arrojada e mostram-se céticos.

Os vários artefactos estudados pela equipa de Garfinkel foram encontrados em três sítios arqueológicos diferentes localizados no território do antigo Reino de Judá.

Garfinkel explica que as esculturas representavam uma imagem visível de Y-H-W-H (lê-se Yahweh), o nome tetragrama usado na tradição judaica para representar o nome sagrado de Deus. Assim, os artefactos tratam-se de representações da figura de Deus.

As descobertas foram publicadas este mês na revista científica Biblical Archaeology Review, apesar de terem sido mal recebidas por vários pares. Muitos acusam Garfinkel de ceder ao sensacionalismo.

“Quando descobrimos a primeira estatueta em Kirbhet Qeiyafa, em 2010, não havia paralelos a ela”, disse Garfinkel. “Apenas dois anos depois foram encontradas duas cabeças semelhantes em Tel Moza. Quando vi como essas três cabeças eram semelhantes, comecei a procurar mais itens e encontrei dois objetos semelhantes na Coleção Moshe Dayan no Museu de Israel”.

As estatuetas de cabeças encontradas em Tel Moza foram descobertas juntamente com estatuetas de cavalo. Garfinkel apercebeu-se que na Bíblia Hebraica, Deus às vezes é descrito como um cavaleiro. O arqueólogo rejeitou a ideia de que a figura poderia ter sido uma representação de um rei, uma vez que a ideia da monarquia como divindade não se alinhava com nenhuma tradição conhecida em Judá.

“Agora a questão é: quem é o Deus que eles representam? Estamos familiarizados com o panteão cananeu e todos os seus diferentes deuses, e temos estatuetas cananeias representando-os”, disse Garfinkel. “No entanto, estas estatuetas são completamente diferentes, por isso não retratam nenhum deles. Sabemos que em Judá havia um novo Deus. Se este não é o Deus de Judá, quem poderia ser?”.

O investigador questiona ainda: “Se o povo de Israel não estivesse a fazer estátuas, por que razão o texto bíblico estaria tão preocupado com o assunto?”. Esta prática, conhecida como idolatria, é proibida nas escrituras bíblicas, escreve o All That’s Interesting.

Oded Lipschits, líder das escavações arqueológicas em Tel Moza, discorda de Garfinkel, dizendo que o seu estudo está repleto de “imprecisões factuais”.


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