Um novo estudo genético analisou fosseis de mastodontes americanos, revelando alguns segredos destas criaturas e percebendo como reagiram às alterações climáticas.

Os mastodontes americanos encontram no elefante o seu espelho daquilo com que se poderiam ter assemelhado há mais de 11 mil anos, antes da sua extinção. Um novo estudo publicado este mês na revista científica Nature Communications mostra como é que estas criaturas reagiram às alterações ambientais.

Os investigadores envolvidos no estudo analisaram a informação genética preservada em 33 mastodontes. Vários museus e universidade colaboraram doando fosseis para o estudo.

Segundo o Gizmodo, os autores descobriram que, quando o nosso planeta aqueceu, criando um corredor de terra entre mantos de gelo, os mastodontes aproveitaram a expansão de árvores e plantas nesses climas. Com a descida das temperaturas, os mastodontes migaram para o sul, alterando a paisagem e possíveis fontes de alimento. Enquanto alguns prosperaram, outros ficaram isolados.

Quando o autor principal do estudo, Emil Karpinski, começou a investigação há seis anos, a variabilidade regional em mastodontes americanos foi praticamente negligenciada antes da descoberta do mastodonte do Pacífico, no ano passado. Este foi um percalço que atrasou significativamente o trabalho dos cientistas.

“Uma das partes mais difíceis quando trabalhamos com ADN antigo é que há muito pouco material do animal real deixado no osso”, explicou Karpinski ao Gizmodo. “Quando lidamos com amostras destes animais, poderíamos estar a falar em alguns locais com menos de 1% do ADN total. Alguns dos melhores materiais que saem da Sibéria, Alasca, Yukon, ocasionalmente você atinge os 60-70%”.

Karpinski e companhia conseguiram retirar 33 genomas mitocondriais de 122 fosseis.

“É o primeiro estudo genético em grande escala sobre navegadores da megafauna na América do Norte. É um grande aumento nos genomas mitocondriais de mastodontes”, acrescentou Karpinski.

Os mastodontes apresentam também uma grande variedade. Essa diversidade reflete-se nos cinco diferentes clados descobertos pela equipa. Por outras palavras, embora atualmente agrupados como mastodontes americanos, esses animais pertencem não a um, mas a cinco grupos genéticos distintos.

Os autores sugerem que descobrir como é que estes animais antigos responderam a alterações climáticas drásticas pode ajudar-nos a entender melhor as possíveis reações de animais ao aquecimento global dos dias de hoje.

Karpinski salienta que este é apenas o primeiro passo para compreender a história evolutiva do mastodonte na América do Norte. “Este padrão de migração não se aplica apenas aos mastodontes. Estes animais não viviam isolados, mas em ecossistemas complexos repletos de outras plantas e animais”, explicou o especialista.


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