Cirurgiões do Massachusetts Eye and Ear substituíram a superfície ocular de quatro pacientes que sofreram queimaduras químicas num olho, usando as suas próprias células estaminais retiradas do outro olho saudável.

Os médicos substituíram a superfície ocular de quatro pacientes que sofreram queimaduras químicas num dos olhos. A técnica, chamada “transplante autólogo de células epiteliais do limbo” (CALEC), usa células estaminais retiradas do outro olho saudável. Esses quatro casos fazem parte de um ensaio clínico apoiado pelo National Eye Institute e representam os primeiros procedimentos deste género a ocorrer nos Estados Unidos.

Liderada por Ula V. Jurkunas, cirurgiã de córnea e refrativo no Mass Eye and Ear, a equipa realizou o seu primeiro procedimento CALEC como parte de um ensaio clínico em andamento em abril de 2018.

Uma pequena biópsia que continha células estaminais do olho saudável do paciente que tinha sido tirada duas semanas antes foi transportada para as instalações do núcleo de manipulação de células das famílias Connell and O’Reilly no Dana-Farber Cancer Institute, onde as células estaminais da córnea foram expandidas e cultivadas num substrato de membrana.

Quando as células cresceram para cobrir a membrana e o excerto estava pronto – cerca de três semanas depois -, Jurkunas realizou uma extensa remoção de tecido cicatrizado e transplantou a córnea.

Desde então, mais três pacientes receberam o tratamento CALEC.

Dois pacientes receberam um transplante após a primeira biópsia. Um paciente não desenvolveu células suficientes na primeira tentativa de biópsia, mas foi submetido a uma segunda biópsia, que teve sucesso no cultivo de células suficientes para um transplante. As células do último paciente não cresceram suficientemente bem para serem submetidas ao procedimento de enxerto.

Ao todo, quatro dos cinco pacientes desta fase do estudo receberam um transplante CALEC. Os quatro pacientes que receberam o tratamento CALEC deixaram de sentir dor devido às lesões químicas iniciais logo após os procedimentos.

A técnica não traz o risco de rejeição como alguns outros procedimentos porque as células são retiradas do próprio corpo do paciente. Porém, os pacientes continuarão a ser acompanhados a um longo prazo para monitorizar o seu progresso.

“Usar as células estaminais do próprio paciente é um grande passo para a medicina regenerativa”, disse Jurkunas, em comunicado divulgado pelo EurekAlert. “Com este ensaio clínico, esperamos abrir caminho para um melhor atendimento aos pacientes com cegueira da córnea, que há muito precisam de melhores soluções para a sua condição.”

Agora que a viabilidade da técnica foi estabelecida sem preocupações imediatas de segurança, os investigadores começaram a recrutar mais pacientes com danos na córnea para uma segunda fase do ensaio que continuará até 2021.

Além da segurança e viabilidade, os resultados da nova técnica CALEC será investigada para perceber se o procedimento leva a uma visão melhorada por si só ou por permitir o transplante de córnea.

“Se continuarmos a ter sucesso, seremos capazes de dar a estes pacientes uma superfície saudável do olho – e possivelmente até restaurar a visão de alguns“, disse Jurkunas. “Estamos orgulhosos de ter desenvolvido este novo tratamento desde a bancada do laboratório até à cama num ambiente médico académico sem o apoio da indústria”.


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