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Home - Ciência - A medula espinal não está sozinha. O intestino também gera as suas próprias células sanguíneas

CiênciaMedicina

A medula espinal não está sozinha. O intestino também gera as suas próprias células sanguíneas

Redação
Last updated: 7 Dezembro, 2018 10:00
Redação
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Os pacientes que recebem transplantes intestinais podem receber mais do que apenas um novo intestino saudável: um novo suplemento de células sanguíneas de outra pessoa.

Nos últimos dois anos, os cientistas começaram a aperceber-se de que os pacientes que recebem pedaços de intestino doados apresentam também quimerismo sanguíneo. Na prática, isto significa que os pacientes não só fabricam as suas próprias células sanguíneas como também possuem células outrora pertencentes ao seu doador.

Até hoje, pensava-se que o único lugar onde os seres humanos adultos produziam novas células sanguíneas era a medula óssea. No entanto, esta descoberta sugere que o nosso intestino contém também tecido hematopoiético capaz de bombear um fluxo de leucócitos e hemácias para o nosso sistema circulatório.

Apesar de não saberem ao certo, os cientistas estimam que o reservatório de células do intestino forma até 10% das células sanguíneas circulantes.

Para observarem de perto e verem o que acontece com estas células a longo prazo, a equipa de cientistas acompanhou 21 recetores de transplantes intestinais durante cinco anos. Os cientistas não só encontraram células estaminais e progenitoras hematopoiéticas (HSPCs) na mucosa do intestino doado, como também as identificaram numa secção do intestino delgado, fígado e gânglios linfáticos.

Além disso, a equipa notou que, com o passar do tempo, estas células foram sendo gradualmente substituídas por “tecidos de construção” do sangue do próprio recetor.

Num primeiro momento, os cientistas ficaram muito preocupados, dado que os glóbulos brancos são uma espécie de infantaria do sistema imunológico, que atacam os invasores. O órgão doado não é encarado como um imigrante amigável no corpo do recetor, sendo por esse motivo que muitas vezes são necessários medicamentos poderosos de anti-rejeição para amortecer a resposta imune e impedir que o órgão seja destruído.

No entanto, isto não constituiu um problema. “Provamos que há uma espécie de conversa imunológica cruzada entre os dois grupos de células do sangue que protegem o transplante do sistema imunológico e o paciente do transplante”, explicou Megan Sykes, investigadora do Centro de Imunologia Translacional da Universidade de Columbia.

Segundo o estudo, publicado recentemente na revista Cell Stem Cell, os HSPCs do doador estavam aparentemente a ser “educados” para reconhecer a sua nova casa, mesmo quando foram lentamente substituídos. Este clima de paz que envolve as células brancas do sangue pode traduzir-se num benefício surpreendente ao quimerismo sanguíneo.

Os transplantes intestinais apresentam uma grande taxa de rejeição, cerca de 50% nos primeiros cinco anos. Este estudo vem trazer alguma esperança, dado que é possível que em pacientes com um alto nível de células do doador possam não precisar de tanta imunossupressão quanto a que estão a receber atualmente. Por sua vez, reduzir a imunossupressão pode melhorar os resultados, esclarece a especialista.

A combinação entre órgãos transplantados com células estaminais hematopoiéticas do doador pode aumentar a interferência entre o doador e o recetor e, assim, aumentar a tolerância ao transplante.

“Isto poderia melhorar drasticamente a vida dos pacientes transplantados. O nosso objetivo final é obter tolerância imunológica, o que nos permitiria eliminar completamente a imunossupressão. Este é realmente o Santo Graal“, conclui Sykes.

Desta forma, os cientistas estão agora a planear um estudo futuro que tentará aumentar a quantidade de células estaminais hematopoiéticas durante o transplante intestinal, o que resultará em maiores níveis de circulação sanguínea do doador, tolerância imunológica e menor necessidade de imunossupressores.

TAGGED:ciênciaCiência & SaúdeDestaquemedicinasaúde
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