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Home - Ciência - Cheiros que não existem afetam mais narizes do que pensávamos

Ciência

Cheiros que não existem afetam mais narizes do que pensávamos

Last updated: 27 Agosto, 2018 9:00
Redação
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gotosira / Flickr

Cerca de 6% dos norte-americanos com mais de 40 anos já tiveram a sensação de estar a sentir um mau cheiro quando, na verdade, não tinham nada ao seu lado que o pudesse provocar.

Alguma vez pensou ter sentido um mau cheiro como, por exemplo, de borracha queimada ou leite estragado, para depois se aperceber que, na verdade, não havia nada ali? Se sim, o caro leitor e o seu nariz não estão sozinhos. Segundo o Live Science, cerca de 6% dos norte-americanos com mais de 40 anos já tiveram essa sensação.

Esta perceção de “cheiros fantasmas” já foi várias vezes observada em testes clínicos, mas nunca foi verdadeiramente claro o quão comum é isto acontecer. Por isso, um novo estudo, liderado pela investigadora Kathleen Bainbridge, epidemiologista do National Institute on Deafness and Other Communication Disorders (NIDCD), que faz parte do National Institutes of Health (NIH), tentou determinar isso mesmo.

Para isso, a equipa de investigadores analisou o National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES), um relatório nacional sobre a saúde dos americanos. A pesquisa, conduzida entre 2011 e 2014, continha uma única pergunta sobre perceção de odores: “Sente, por vezes, cheiros desconfortáveis quando não tem nada ao seu lado?”.

Os resultados do questionário, que contou com a participação de 7.300 participantes com idade igual ou superior a 40 anos, permitiram aos investigadores estimar que 6,5% dos norte-americanos nesta faixa etária já tinham sentido os chamados “cheiros fantasmas”.

Cerca de dois terços destas pessoas eram mulheres e este traço foi mais comum entre participantes que descreveram a sua saúde como sendo de suficiente a fraca, comparando com aqueles que disseram que eram saudáveis.

Outros fatores, de acordo com os cientistas, que estavam associados a esta perceção foram a sensação de boca seca persistente e historial de graves traumatismos cranianos.

Em declarações ao site, Bainbridge explicou que aquilo que mais surpreendeu a equipa foi que as taxas diminuíram entre os participantes com mais de 60 anos, de 6,5% nos participantes mais jovens para 5,4% nos participantes mais velhos.

Os investigadores compararam estes resultados com os de um outro estudo semelhante, feito entre suecos com idades entre os 60 e os 90 anos, publicado no ano passado na revista científica Chemical Senses, que também descobriu que 4,9% dos participantes também já teve esta sensação. Tal como no NHANES, esta pesquisa também percebeu que era um traço mais comum em mulheres.

Os cientistas ainda não conseguem perceber qual é a raíz deste problema. “Pode ser uma condição de saúde relacionada com células superativas que detectam odores na cavidade nasal ou talvez com um defeito na parte do cérebro que entende sinais de odor”, afirma Bainbridge num comunicado.

Apenas 11% das pessoas que já experienciaram esta sensação afirmam ter abordado este assunto com um médico – sinal de que o olfato é frequentemente negligenciado, apesar da sua importância.

Os cheiros “podem ter um grande impacto no apetite, nas preferências alimentares e na capacidade de detetar sinais de perigo, como incêndios, fugas de gás e comida estragada”, explica Judith Cooper, diretora interina do NIDCD num comunicado.

Os cientistas ainda não foram capazes de avaliar como as condições de saúde, como convulsões, enxaquecas ou doenças mentais podem afetar a capacidade das pessoas de perceber odores com precisão, mas esperam fazê-lo em estudos futuros.

Os resultados desta pesquisa foram publicados, no passado dia 16 de agosto, na revista científica JAMA Otolaryngology-Head & Neck Surgery.

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