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Home - Ciência - Estudo controverso não encontra provas de que a canábis alivia a dor crónica

Ciência

Estudo controverso não encontra provas de que a canábis alivia a dor crónica

Redação
Last updated: 6 Julho, 2018 8:00
Redação
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(CC0/PD) eujava / pixabay

Os resultados de um grande estudo recentemente publicado levantam dúvidas sobre se a canábis reduz a intensidade da dor e o uso de opiáceos.

O estudo, recentemente publicado na Lancet Public Health, que analisou a relação entre o uso de canábis e a dor crónica, está a mostrar-se bastante controverso, dado que contradiz o crescente número de investigações que comprovam que a canábis reduz a intensidade da dor.

A investigação australiana, levada a cabo pelo National Drug & Alcohol Research Center, em Sidney, analisou mais de 1500 pessoas durante quatro anos. Os participantes sofriam de dor crónica, não oncológica, e tomavam opiáceos. Através de questionários e entrevistas, os indivíduos relataram a gravidade da dor, o seu bem-estar mental e o uso de opiáceos e canábis.

Ao contrário do que se esperava, os resultados não mostraram qualquer prova de que o uso de canábis reduz a intensidade da dor. Pelo contrário, o estudo revelou que aqueles que usavam canábis mostraram níveis mais elevados de dor e ansiedade, comparativamente com os pacientes que não usavam a droga.

“Aqueles que relataram o uso de canábis disseram sentir mais dor e lidar pior com ela. Além disso, afirmaram também que a dor interferia com a sua vida”, disse o investigador Gabrielle Campbell, autor principal do estudo.

“Em suma, não houve uma evidência clara de que o uso de canábis tenha interferido na dor, levando a uma redução da intensidade, ou à redução do uso de opiáceos”, afirmou.

No campo da investigação médica, este estudo está a revelar-se bastante controverso, dado que os seus resultados são aparentemente contraditórios se comparados com estudos semelhantes e igualmente recentes.

Segundo o New Atlas, apesar de os estudos sobre os efeitos desta droga terem apresentado resultados contraditórios ao longo da história, tal justifica-se pela falta de especificidade em muitas dessas investigações, bem como à incapacidade de determinar uma métrica objetiva para avaliar a intensidade da dor.

Além disso, é de salientar que estudos anteriores mostraram que dosagens mais específicas de administração de canábis podem traduzir-se em diferentes efeitos, dado que uma dosagem baixa – ou alta – pode fazer a diferença na eficácia dos efeitos em relação à dor crónica.

Bem-estar geral

Embora as análises longitudinais não tenham encontrado diferenças na intensidade da dor entre quem usa canábis e quem não usa, este estudo mostrou que o relato dos indivíduos que tomam esta droga sugere que ela é efetiva para a dor.

No entanto, os investigadores sustentam que este resultado tem a ver com os efeitos da canábis sobre outros aspetos do estilo de vida dos participantes. Por exemplo, a canábis ajuda a que os indivíduos durmam melhor e isso, por sua vez, melhora o bem-estar da pessoa.

Este facto complica a investigação em torno do uso da canábis, dado que os efeitos do uso da droga não podem ser medidos apurando, simplesmente, a gravidade da dor.

Mas uma das limitações mais significativas deste estudo prende-se com o facto de este ser maioritariamente australiano, no qual a canábis medicinal é ilegal. Isto faz com que os dados recolhidos não revelem a forma como os indivíduos estavam a consumir a droga.

Por este motivo, David Caldicott, investigador da Universidade Nacional Australiana, diz que “este estudo mostra que um mercado não regulamentado não funciona”.

TAGGED:ciênciaCiência & SaúdeDestaquemedicinasaúde
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