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Ciência

Múmia com dois mil anos era padre e oftomologista do faraó

Last updated: 14 Janeiro, 2019 7:00
Redação
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Museu Nacional de Arqueologia

O Museu Arqueológico Nacional da Espanha publicou resultados da tomografia de uma antiga múmia egípcia enviada para ser examinada em 2016.

A meio da noite de 6 de junho de 2016, a múmia chegou à Unidade de Emergência do Hospital Universitário Quirónsalud, em Pozuelo, nos arredores de Madrid. Uma extensa equipa de médicos estava à espera lá para examinar os quatro corpos – três egípcios e um homem das Ilhas Canárias.

Os especialistas tinham apenas 15 horas para realizar um projeto apelidado de Operação Múmia: não era suposto os  visitantes do Museu Nacional de Arqueologia notarem que os quatro corpos tinham passado a noite noutro lugar, enquanto os pacientes do hospital não suspeitavam que estivessem a partilhar o espaço e os recursos médicos com humanos que viveram há mais de dois mil anos.

Dois anos depois, o museu divulgou os resultados do exame. Acontece que uma das múmias, que estava coberta de joias e amuletos debaixo das ligaduras, era o padre Nespamedu, o oftalmologista pessoal do faraó Ptolomeu II.

De acordo com o El País, a sua odisseia espanhola começou em 1925, quando um navio a vapor atracou no porto de Barcelona com uma carga incomum: uma múmia comprada no Cairo pelo estudioso Ignacio Bauer, com quase nenhuma documentação. De facto, de início, pensava-se que se tratava do corpo de uma mulher.

Graças à análise tomográfica, foi agora estabelecido que Nespamedu era um sacerdote que viveu entre 300 a.C e 200 a.C, além de ser médico para o rei, de acordo com os arqueólogos María del Carmen Pérez Die e Javier Carrascoso.

A informação recolhida do exame revela que Nespamedu era uma autoridade de alta patente com dinheiro suficiente para ter o seu corpo preparado para a jornada da vida após a morte.

Museu Nacional de Arqueologia

Mas de acordo com especialistas, são os amuletos e placas guardados nas suas ligaduras que são os mais reveladores. Dois grupos de oito placas apareceram em diferentes partes da múmia em que os quatro filhos da divindade Hórus estão representados.

Outras duas placas apresentam as deusas Isis e Nephthys, enquanto que representações da mumificação do cadáver junto com o deus Anúbis foram encontradas no topo das pernas de Nespamedu.

Há também duas placas com o deus Thoth e o Olho de Horus, simbolizando magia, proteção e purificação, juntamente com um símbolo solar que representa a estabilidade cósmica. Thoth é o deus dos oftalmologistas.

Isto levou especialistas a concluir que Nespamedu escolheu este deus por causa da sua própria profissão. “Não há nada casual sobre a iconografia e é claro que queria registar as suas crenças e as responsabilidades que o elevaram aos altos escalões da sociedade“, afirma um relatório. “O facto de ser o médico do faraó faz-nos pensar que parte da sua vida foi vivida em Alexandria”.

Um terceiro relatório escrito por Andrés Carretero Pérez, diretor do Museu Nacional de Arqueologia, aponta que “múmias são bens culturais muito vulneráveis ​​a mudanças no meio ambiente e deve ser uma prioridade evitar manipulação e movimentação, tanto quanto possível”.

As múmias são monitorizadas de perto, conservadas atrás de vidros com sistemas de renovação de ar e níveis de temperatura, unidade e luz rigidamente controlados.

Depois de chegar ao hospital, Nespamedu e as outras múmias foram cuidadosamente introduzidas no tomógrafo. Nespamedu teve 2.739 imagens tiradas do seu corpo, que estava praticamente despido, permitindo que os amuletos e placas aparecessem. A faixa que usava era um amuleto de de escaravelho alado com um disco solar que também mostrava o deus Khepri, símbolo da ressurreição e renascimento.

TAGGED:AntropologiaArqueologiaCiência & SaúdeDestaqueEgipto
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