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Crónica: DEVOLVERAM-ME A VIDA DUAS VEZES

Paulo Ramalheira Teixeira, 56 anos, casado, júrista, consultor de empresas e formador, presidente da Câmara Municipal de Castelo de Paiva de 7.1.1998 a 31.10.2009 foi dos Paivenses até à data de hoje que por duas vezes teve de recorrer aos hospitais, tudo provocado pelo COVID 19.

JORNAL “O PAIVENSE” – Como tudo aconteceu ?

No dia 12 de Novembro, quinta-feira, estava a almoçar na Vila de Sobrado, com a minha filha, e senti uns arrepios de frio. Desvalorizei, porque era um dia muito frio em Castelo de Paiva.

A conselho médico e porque os sintomas se mantinham, no sábado à tarde deslocamo-nos ao Hospital Privado de Paredes para fazer os referidos testes.Domingo de manhã, eu e a minha mulher, recebemos por sms a indicação que o teste tinha dado positivo. Na segunda feira foi a minha filha a receber o resultado e também deu positivo, mas ela não apresentava qualquer sintoma.

JORNAL “O PAIVENSE” – E depois o que sucedeu ?

Depois do dia 14 ao dia 25 de Novembro, estive sempre acompanhado pelo médico, do SNS, responsável pelo acompanhamento de doentes com COVID 19, e os sintomas iam aparecendo ao longo dos dias, primeiro foi a febre, que só houve dois dias que não tive, e são precisas 72 horas para dizermos que a febre passou, depois foi a falta de apetite, o cansaço, o paladar, mialgias e diarreia.

Enfim os sintomas iam-se generalizando, até que na manhã do dia 25 de Novembro, queria caminhar e o ar começava-me a faltar. E foi aqui que, também aconselhado pelo médico, requisitamos uma ambulância à AHBVCP – Associação Humanitária dos Bombeiros de Castelo de Paiva, e levaram-me para o CHEDV – Centro Hospitalar Entre Douro e Vouga (Hospital São Sebastião), e cheguei à urgência do Hospital, em Santa Maria da Feira, perto da hora do a

almoço

JORNAL “O PAIVENSE” , e aí o que lhe fizeram ?

Mal entrei na urgência, transportado pelo bombeiro Filipe, os médicos de serviço aperceberam-se da gravidade da situação, ainda fiz um TAC, e fui de imediato levado para a UCI – Unidade de Cuidados Intensivos, tendo ficado “ligado às máquinas” e a receber oxigénio. Nesse local, e na mesma posição na cama, fui mantido, três noites.Entretanto o organismo recuperou os índices normais, e fui depois transferido para a unidade de cuidados intermédios e posteriormente para a enfermaria geral, tendo recebido alta hospitalar, no final do dia 30 de Novembro. Tendo regressado a casa, conduzido pelo meu grande amigo e bombeiro, Mário Fernandes.

No dia 29 de Novembro cumpri todos os critérios da cura do COVID.Vim a saber mais tarde pelos médicos, que quando entrei nas urgências, foi na hora H, pois só estava com 21% de oxigénio. Aliás o médico que me atendeu na urgência disse-me que se eu chegasse ao hospital umas horas mais tarde, poderia não haver nada a fazer.Tinham-me devolvido a vida a primeira vez.

JORNAL “O PAIVENSE”, soubemos que posteriormente foi levado de novo para o hospital. Afinal o que se passou ?É verdade. No dia 1 de Dezembro, primeiro dia em casa, e após durante o dia ter cumprido todas as orientações médicas, descanso absoluto e caminhar lentamente, no interior da casa, eis que ao final do dia , começo a sentir uma dor no membro inferior esquerdo (junto ao que vulgo se chama canela) e a tosse a aumentar gradualmente.Após o jantar, fui-me estender um pouco na cama a ver se a dor passava e aí sinto uma dor muito forte na zona do tórax, tendo uma manifesta falta de ar (insuficiência respiratória).Nessa altura, ligamos para o 112, que enviaram uma ambulância da AHBVCP, que após me terem feito uma análise ao sangue e à respiração, levaram-me por indicação do CODU, para o CHTS – Hospital Padre Américo.

Aqui não posso deixar de louvar, o trabalho notável dos nossos bombeiros e a eficiência dos mesmos, ficarão para sempre na minha memória os dois bombeiros que me trataram inicialmente o Rui Filipe Melo e o Daniel Sousa, foram inexcedíveis.Chegados à urgência do hospital, em Penafiel, à meia noite e meia, do dia 2 de Dezembro, fui de imediato fazer um TAC, e cerca das duas horas da manhã a médica de serviço comunica-me que eu tinha tido uma trombose venosa, seguida de um enfarte pulmonar.Passei o resto da noite nas urgências do hospital a ser acompanhado, e ao início da manhã fui colocado na unidade de medicina interna, onde estive até ao dia 10 de Dezembro.

Nos dois primeiros dias, as dores eram muitas e mal conseguia falar, tendo recebido doses de morfina, para as dores, e injeções para tornar o sangue mais líquido, de modo a fazer desaparecer o coágulo que entretanto se tinha formado no final da perna esquerda.

Jornal “O PAIVENSE” – como decorreu esta segunda estadia, e a mesma foi causada pelo COVID ?Os portugueses, maioritariamente, desconhecem que o COVID, pode provocar à posterior inúmeras doenças. Uma delas foi a que eu tive, outras, mais ligeiras ou mais fortes, registam-se mais tarde, não esquecendo que pode provocar a morte de um ser humano. Por isso, tenho dito a muita gente, quem testar POSITIVO, e COM SINTOMAS, mesmo sem estar internado, como eu estive, pode ter várias mazelas a seguir. Os cerca de oito dias que aqui estive internado, foram dias em que também não podia receber visitas da família (mas contrariamente ao primeiro internamento, neste já não estava com COVID) e em que fui sujeito a imensos exames, fiz três TAC’s , muitas análises e exames ao coração. Fui realmente muito bem acompanhado por toda a equipa médica, de enfermagem e pessoal operacional , e dia após dia ia melhorando, apesar de a dor na perna só ter passado na ante -véspera da minha alta hospitalar e a dor no peito progressivamente também foi desaparecendo.Quando tive alta, já não apresentava insuficiência respiratória e regressei a casa, cumprindo as orientações médicas, só saindo, até 31 de Dezembro, para as três sessões semanais da fisioterapia pulmonar.

Jornal “O PAIVENSE” – Como se sente agora e que conclusões tira de tudo o que lhe aconteceu?Agora estou muito melhor, também emagreci muito o que veio ajudar à recuperação e à forma como hoje desenvolvo a minha respiração. Caminho entre 30 a 60 minutos por dia, sem qualquer dificuldade. O facto de TEREM-ME DEVOLVIDO A VIDA DUAS VEZES, foi algo de extraordinário que aconteceu na minha vida e que jamais esquecerei. Já pensei e refleti muito sobre isto tudo.Eu podia já não estar entre vós. Tive realmente muita sorte. Esta é a minha terceira vida. Agora estou a ser acompanhado pelo serviço de Medicina Interna e de Cirurgia Vascular do Hospital Padre Américo e considero-me feliz por estar de novo com a minha família, estar de novo a viver em Castelo de Paiva e neste País que tanto gosto. Não conseguindo individualmente agradecer a todos aqueles que directa ou indirectamente procuraram inteirarem-se do evoluir da situação, utilizo esta via para vos agradecer, como estou grato pelas vossas atenções e preocupações, desde o cidadão anónimo, até ao nosso Presidente da Câmara, todos foram incansáveis. Aqui chegados, e o facto de nunca ter estado internado até Novembro de 2020, não posso deixar de enaltecer a forma como fui tratado pelos profissionais do nosso SNS- SERVIÇO NACIONAL DE SAUDE, quer no CHDV-Santa Maria da Feira, quer no CHTS-Penafiel, simplesmente nada a apontar. Serviço de excelência.