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Crónica: “Equipa que ganha não se muda” – Será?

Após as eleições autárquicas foram várias as interpretações dos resultados, várias perspetivas, várias interpretações, um único objetivo: sobrevivência política!

Manuel Mendes – Foto Facebook

O Partido Socialista, inequívoco vencedor concelhio e nacional, assumiu a grande vitória concelhia, apesar do número total de votos ser inferior face à eleição anterior, ainda assim, há outros dados a reter:

  1. Para a Câmara Municipal, Gonçalo Rocha volta a vencer em todas as mesas de voto, Por outro lado, José Rocha em coligação partidária PSD/CDS-PP, obtém menos votos em 2017, que Norberto Moreira sozinho em 2013;
  2. Relativamente à Assembleia Municipal, Almiro Moreira, vence apenas na sua freguesia, por outro lado, Gouveia Coelho além de vencer nas restantes freguesias, reforça votos na freguesia de Santa Maria de Sardoura;
  3. Para as Assembleias de Freguesia, apesar de se manter o empate no número de lideranças entre as principais forças partidárias, há alterações e pontos de interesse estatístico. Santa Maria de Sardoura é reconquistado pelo PS, liderado por Ricardo Cardoso, 20 anos depois, revelando um total desgaste partidário dos seus representantes locais. São Martinho de Sardoura, voltou a apostar no símbolo partidário em detrimento do excelente trabalho que Agostinho Monteiro liderou no mandato anterior.

Com alternativas pouco consistentes, registaram-se grandes vitórias em Real e no grande Couto Mineiro do Pejão. A vitória da equipa de Vitor Quintas Pinho é expressiva na sua freguesia, assim como a vitória da equipa de Joaquim Martins, arrebatando um expressivo número de votos.

Em Fornos, apesar da liderança de Filipe Costa estar claramente a perder terreno, ainda assim não foi suficiente para o Partido Socialista reconquistar a freguesia. Na união de freguesias de Sobrado-Bairros, a equipa de António Costa acrescentou votos, mas tornaram-se insuficientes para assegurar a vitória;

  1. Passado o período eleitoral com os respetivos rescaldos internos, as duas principais forças partidárias foram a votos num julgamento do trabalho do seu líder face aos resultados autárquicos e preparar o futuro do respetivo partido. Deparamo-nos que, apesar de uma das maiores derrotas do PSD, se não mesmo a maior derrota da sua história autárquica paivense, os seus militantes apostaram na continuidade do seu líder, José Rocha. Por outro lado, o Partido Socialista com mais uma expressiva vitória, vê-se obrigado a mudar de liderança e, por impedimento estatutário, José Manuel Carvalho abandona a presidência da comissão Política do PS.
  2. Neste período de quatro anos até novo combate eleitoral, as lideranças partidárias concelhias serão novamente julgadas uma vez mais, dentro de dois anos. Até lá veremos Gonçalo Rocha a retomar a liderança do PS e José Rocha na liderança do PSD.

Curioso será durante este período ver Gonçalo Rocha, o responsável pelo renascimento do Partido Socialista concelhio após o período difícil influenciado pela morte do Prof. Joaquim Quintas, de um lado, e José Rocha, o responsável de uma das maiores derrotas de sempre do Partido Social Democrata, do outro.

Face a tudo isto, fará sentido aplicar-se a expressão “equipa que ganha não se muda”?

Manuel Mendes


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