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Crónica: Herdeiros eleitorais

Sempre que existem eleições, a composição dos órgão eleitos dificilmente se mantém inalterada, havendo quase sempre novos membros eleitos. Quando o resultado do ato eleitoral implica uma mudança de liderança, o novo líder eleito herda todos os encargos do executivo anterior. Para haver nova liderança numa Junta de Freguesia ou Câmara Municipal nem sempre significa que haja alteração da cor política, contudo, o peso da herança pode ser diferente se o herdeiro for ou não da mesma linha política.

Um herdeiro é a pessoa que herda, aquele que obtém o legado de outro que já não está. Segundo o artigo 2030º do Código Civil, herdeiro é o que sucede ao falecido (tomemos o conceito de falecido como uma metáfora). Por todo o país, foram várias as passagens de testemunho no poder local nas últimas autárquicas. Nem sempre as transições foram pacíficas, principalmente quando existe mudança da cor partidária. Contudo, para o contexto eleitoral, o derrotado mostra-se sempre disponível para ajudar e esclarecer o vencedor, “tudo em nome da nossa terra”. Ainda assim, são vários os casos de contradição total entre o discurso de disponibilidade de ajuda e a realidade.

Nas últimas autárquicas do nosso município tivemos duas mudanças no poder local: Santa Maria e São Martinho de Sardoura. Nas duas situações, os vencedores apresentaram os seus constrangimentos de quem está a chegar ao poder e com pouca experiência autárquica. Os constrangimentos são variados: desde o apagão informático ao endividamento.

No caso de S. Martinho de Sardoura, segundo informações do atual executivo, além de existir uma diferença financeira (divulgada nas rede-sociais pelo seu executivo), existirão algumas falhas informáticas. Ainda assim, este caso está longe do sucedido em Santa Maria de Sardoura que, além do apagão informático de 20 anos de governação, acrescentou-se a castração financeira que o atual presidente teve durante alguns meses por causa de cheques pré-datados.

Estes dois episódios são uma amostra de outra situação bem mais grave que ocorreu no nosso município: a famosa herança que Gonçalo Rocha obteve em 2009! Dívida insustentável, boicote de fornecedores por incumprimento de pagamentos, processos judiciais em curso, o caso Jopavera, entre outras relíquias que os herdeiros guardarão nas suas memórias.

É certo que, quando falamos no passado, os incomodados afirmarão: “sempre a falar no passado! E o futuro?”. Para viver o presente e preparar o futuro, temos que conhecer o passado. É certo, inegável e incontornável que dos piores registos de contas públicas da história do nosso município prender-se-ão  com a última governação PSD na nossa Câmara Municipal.

Cada cidadão de uma determinada terra dificilmente não terá uma opinião sobre um projeto ou ideia de desenvolvimento da sua terra. Os que amam verdadeiramente a nossa terra, Castelo de Paiva, dificilmente deixaram de ter opinião como criar melhores condições de vida para todos nós. Contudo, apenas alguns irracionais, inconscientes da herança que deixaram é que não terão as devidas condições patológicas para o fazer. É com espanto que vejo, leio e ouço em vários órgãos de comunicação, alguns “iluminados” a criticarem a gestão municipal quando eles mesmos subscreveram projetos eleitorais que arruinaram as contas do município. É surpreendente esta desfaçatez de contribuir para a ruína das contas públicas do município (ou subscrever os projetos eleitorais) e agora aparecer de “dedo em riste” apontando alternativas populistas e questionar a forma ou o conteúdo das contas municipais do atual executivo em maioria.

A herança foi assustadoramente pesada, condicionou e continua a condicionar o nosso trabalho, mas paivenses sabem e reconhecem isso!

Manuel Mendes


Em crónicas e poemas – Espaço livre para publicações de crónicas e poemas. Os textos não são editados nem alterados.

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