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Crónica: O IC35 é uma arma de arremesso

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Por: Alexandre Panda

Desde de 1999 que tem vindo a sair notícias, em vários órgãos de comunicação social nacional, sobre o projeto e construção do IC35.

Ao todo, foram nove governos e umas quantas eleições autárquicas desde que surgiu a vontade de projetar uma das vias mais estruturantes para o Vale do Sousa e não só. A última notícia saiu no início de janeiro deste ano e era a aprovação por parte da Assembleia da República de um projeto de resolução, apresentado pelo PSD, que pedia a construção imediata do Itinerário, merecendo a abstenção do PS e dos Verdes.

Muito bem! Mas anos antes tinha sido o PSD a pôr na gaveta uma obra que é, regra geral, considerada prioritária quando se está na oposição. Não convém iludirmos-nos: trata-se de uma construção cara, muito cara e enquanto a velha Estrada Nacional (EN) 106 aguentar o fervilhar de veículos que diariamente a pisa, as prioridades serão outras.

Para além de que “gastar” dinheiro em estradas já não está na moda. Mas acredito que o maior causador dos sucessivos atrasos são os jogos de empurra que, há quase 20 anos, ditam aprovações e desaprovações, avanços, recuos e estudos com impactos, não ambientais mas sim burocráticos.

Tornaram o IC35 numa arma de arremesso que serve para, consoante a cadeira se está no poder ou oposição, governos e autarquias baterem palmas ou criticaram atrasos, em nome das pessoas, que podem, enquanto ouvem as notícias na rádio, demorar até uma hora para percorrer os quilómetros entre Castelo de Paiva e Penafiel.

Não há manifestações políticas públicas em que não se fale do IC35. “Não podemos fazer nada porque o governo não é da nossa cor” ou “O anterior governo deixou este dossier em pantanas. Agora vai demorar porque é preciso rever o projeto todo” ou ainda “Agora a União Europeia já não dá fundos para estradas”.

É óbvio que todos comentem erros e que nem sempre conseguimos convencer quem pode dar um empurrão, mas é possível haver união. Uma real união supramunicipal ou mesmo regional capaz de aproveitar esta onda de recuperação económica para reclamar aquilo que há quase 20 anos andam a prometer-nos. O IC35 não pode ser uma desculpa, nem um dossier numa qualquer secretária de Lisboa, onde quando se pensa nesta região, pensa-se apenas em lampreia e queda de ponte, num passeio dominical que se faz com tempo.

Por: Alexandre Panda | Jornalista Há 19 anos | Atual jornalista no Jornal de Notícias

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